Obra olímpica despeja resíduos na Baía de Guanabara

Por Vinicius Konchinski para UOL Esportes – Rio de Janeiro
Publicado em 8 de abril de 2015

A promessa de limpeza da Baía de Guanabara para a Olimpíada de 2016 esbarra até mesmo na série de obras de infraestrutura também planejada para os Jogos Olímpicos. Um vídeo divulgado na internet mostrou que resíduos da obra de revitalização da região portuária da capital fluminense –projeto de legado da Rio-2016— estão sendo despejados diretamente nas águas da Guanabara. O local vai receber as competições de vela nos Jogos.

O flagrante foi captado pelo geógrafo Rogério Freitas, com um telefone celular (veja vídeo acima). No dia 20, ele passava pela Praça XV, em frente à área de competições olímpicas, quando viu uma água suja caindo na baía. A metros dali, operários trabalhavam na reforma de um mergulhão (passagem subterrânea de veículos) que cruza a praça.

No vídeo, testemunhas que passam pelo local enquanto Freitas fazia seu vídeo informaram que a água vinha da obra. O próprio geógrafo chegou a informar em sua página pessoal do Youtube que os resíduos vinham do mergulhão. Segundo ele, a água possivelmente continha fluídos usados por sondas para perfurações.

O vídeo de Freitas causou repercussões. Por causa de ele, técnicos do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) estiveram na Praça XV na tarde de segunda-feira. Não constataram, porém, nenhuma irregularidade.

Já a Smac (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) abriu um procedimento interno para apurar possíveis falhas no descarte de resíduos da obra do mergulhão. A concessionária Porto Novo, responsável pelo projeto, foi chamada a prestar esclarecimentos.

Procurada pelo UOL Esporte, a Porto Novo informou que “segue todas as normas de descarte de resíduos em suas obras”. Mesmo assim, “designou equipe técnica para analisar as imagens divulgadas”.

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Baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Fonte: UOL Esportes

A novela da Guanabara

Tratar 80% do esgoto que deságua na Baía de Guanabara até a Olimpíada foi um compromisso assumido pelo governo do Rio de Janeiro em 2009, quando a cidade foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos. Apesar disso, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, e o governador Luiz Fernando Pezão já admitiram que a não deve ser cumprida.

No início de março, o governo do Rio de Janeiro chegou a suspender dois programas de limpeza da Baía de Guanabara para a Olimpíada. A retenção de lixo por meio de ecobarreiras e a coleta de resíduos com os chamados ecobarcos foram paralisadas porque, segundo o governo, eram trabalhos “para inglês ver”.

No final de março, a SEA (Secretaria Estadual do Ambiente) anunciou a retomada dos dois programas por meio de um convênio com uma ONG da família de velejadores Grael, a Instituto Rumo Náutico. Um contrato assinado sem licitação possibilitaria a instalação de novas ecobarreiras e a circulação de ecobarcos. A diretoria do ONG dos Grael, entretanto, resolveu não aceitar o convênio pois ele seria firmado sem concorrência.

O governo lançou na semana passada uma licitação para contratar serviços que garantam a limpeza das águas para as competições olímpicas.

Fonte: UOL Esportes
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