Falta de saneamento e desmatamento comprometem as águas pantaneiras

Por Júlia Costa para Acqualis Engenharia Hídrica
Publicado em 31 de março de 2015

Estudos realizados pela WWF-Brasil, Instituto Pantanal da Amazônia de Conservação (IPAC) e HSBC Brasil apontam que a qualidade de água dos rios do Pantanal vem piorando. Os rios estudados foram Jauru, Sepotuba, e alto-Paraguai, responsáveis pelo fornecimento de 30% das águas que mantém o pulso de inundação da planície pantaneira no Mato Grosso.

Segundo a pesquisa, a falta de saneamento básico e o desmatamento das matas ciliares e das matas das nascentes e cabeceiras são os principais responsáveis pela poluição. Sabe-se que esses são também os principais responsáveis pela poluição de grande parte dos rios brasileiros.

Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento. O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente.

Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.”

O estudo “Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai” indica que aproximadamente 50% da bacia pantaneira está sob alto e médio risco ambiental e que 14% dela necessita ser protegida com urgência.

Com o objetivo de reverter esta situação, o programa Água para Vida do WWF-Brasil trabalha pela conservação de 747 quilômetros de rios do Pantanal, pela restauração da mata ciliar de 30 nascentes da região e em cinco quilômetros de afluentes. Além disso, o programa apoia também o Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, movimento para restaurar as cabeceiras do rio Paraguai e seus afluentes.

Essas programas desenvolvem ações de melhorias em rios e nascentes da região, que vão desde a recuperação de áreas degradadas, à recuperação de nascentes, incentivo da implantação de biofossas para melhorar o saneamento básico e promoção de educação ambiental, por exemplo.

Pantanal

© WWF-Brasil / Adriano Gambarini

 

Fonte: WWF-Brasil
http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?44562/Desmatamento-e-falta-de-saneamento-bsico-ameaam-as-guas-do-Pantanal