Emissários Submarinos: uma alternativa eficiente para sistemas de esgotamento sanitário costeiros

Por Felipe Odreski e Gioce Berns

Publicado em 23 de agosto de 2019

O tratamento e disposição final de efluentes costeiros aproveitando o volume marinho e as correntes costeiras pode ser uma ótima escolha.

 

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Figura 1: Imagem de emissário submarino. Fonte: Royal HaskoningDHV.

Não é de hoje que a zona costeira tem sido núcleo do assentamento de populações humanas, abrigando diversas atividades, gerando resíduos com destaque para o esgoto doméstico, que é uma das formas de poluição mais comum das regiões costeiras. O esgoto sanitário pode ser definido como “Despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas”. A quantidade de esgoto gerada em uma cidade ou região varia de acordo com as características socioeconômicas da população, da disponibilidade hídrica, do clima e das atividades desenvolvidas.

Os esgotos domésticos geralmente apresentam uma composição típica, com compostos orgânicos, nutrientes e organismos patogênicos e não patogênicos. De modo geral, os principais impactos ambientais possíveis gerados pelo lançamento de esgotos no mar são:

  • contaminação microbiológica;
  • acréscimo de matéria orgânica e nutrientes no meio marinho (podendo levar à eutrofização);
  • aumento da turbidez, afetando a produção primária e os organismos filtradores;
  • contaminação química, gerando efeitos tóxicos sobre a biota.

 

SISTEMA DE DISPOSIÇÃO OCEÂNICA

Uma das soluções encontradas para os esgotos gerados no litoral é a disposição oceânica. Neste sistema, o vasto volume e a grande capacidade de dispersão e autodepuração das águas marinhas são utilizados como disposição final dos esgotos, auxiliando na redução das concentrações poluentes a níveis permitidos pela legislação. Além disso, o sistema permite afastar o efluente tratado dos estuários e praias que acabariam chegando até zonas de banho e contato trazendo consequências diretas para a saúde humana.

A autodepuração pode ser entendida como um processo natural de recuperação de um ambiente aquático que recebe cargas poluentes, através da decomposição dos poluentes orgânicos.

De modo geral, um sistema de disposição oceânica é constituído pelas seguintes unidades (Figura 2): Estação de pré-condicionamento; câmera ou chaminé de equilíbrio; emissário submarino e tubulação difusora, através da qual o efluente é lançado no fundo do mar por vários bocais ou orifícios.

Sistema de disposição oceânica

Figura 2: Esquema de um sistema de disposição oceânica. Fonte: Adaptado de Bleninger

 

Um bom projeto e execução com adequado dimensionamento e localização do emissário submarino em termos de distância e profundidade, são capazes de promover o processo de mistura e reduzir as concentrações dos contaminantes dos efluentes. Esta solução, embora traga muitos benefícios, pode também acarretar em sérios prejuízos ambientais caso não forem bem dimensionados e operados.

Os estudos que embasam um projeto definitivo para dimensionamento de extensão, diâmetro da tubulação, número de emissores devem levar em conta vários fatores. É preciso que as plumas de contaminantes não atinjam a zona de surf para impedir o carreamento do efluente até a praia e manter a promover a balneabilidade do ambiente costeiro. A Figura 3 abaixo ilustra um resultado de um estudo de modelagem hidrodinâmica da Acqualis Engenharia Hídrica em área de emissário.

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Figura 3: Campos de correntes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem hidrodinâmica em um instante de maré englobando região de emissário submarino.

A Figura 4 apresenta estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem de dispersão e autodepuração de coliformes fecais em projeto para emissário submarino

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Figura 4: Pluma de dispersão de coliformes termotolerantes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica para modelagem de dispersão e decaimento provenientes de emissário submarino em um instante de maré.

APLICAÇÃO DA TECNOLOGIA NO BRASIL E NO MUNDO

Vários países no mundo têm utilizado o Sistema de Disposição Oceânica de Esgotos Sanitários como a principal tecnologia de tratamento de águas residuárias em regiões costeiras. Na Tabela 1 estão alguns dos sistemas de disposição oceânica instalados pelo mundo e suas principais características. 

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Tabela 1: Características de alguns sistemas de disposição oceânica de esgotos sanitários instalados pelo mundo. Fonte: Roberts et al.,2010.

Na Florida (EUA), o tratamento secundário tem sido adotado como opção de tratamento antes de chegar até os emissários submarinos. Ao todo, seis sistemas de disposição oceânica foram instalados no sul da Florida, conforme pode ser visto na Figura 5.

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Figura 5: Localização dos emissários submarinos do sul da Florida. Fonte: Heaney et al.,2006.

 

No Brasil, a disposição oceânica de efluentes urbanos por meio de emissários submarinos tem sido escolhida como uma alternativa satisfatória por alguns autores, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista da melhoria da balneabilidade das praias, tendo sido adotada em diversas cidades litorâneas brasileiras.

Entre as cidades que adotaram o sistema de disposição oceânica no Brasil estão Santos, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Aracaju. Na Tabela 2 estão as principais características de alguns dos emissários localizados no Brasil.

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Tabela 2: Características de alguns emissários submarinos em funcionamento no Brasil. Fonte: Roberts et al.,2010.

O estado de São Paulo concentra a maior quantidade de emissários, com um total de oito sistemas, cinco na Baixada Santista e três no Litoral Norte (Figuras 6 e 7).

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Figura 6: Localização dos Emissários Submarinos da Baixada Santista (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

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Figura 7: Localização dos Emissários Submarinos do Litoral Norte (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

Atualmente, existe um Edital de licitação aberto pela SABESP que tem o objetivo de revisar e atualizar o plano diretor de visando promover a eficiência do sistema de esgotamento sanitário. Caso esses estudos venham a se concretizar, é possível que sejam apontadas modificações do quadro atual com possíveis alterações em termos de dimensionamento, número e localização dos emissários submarinos.

 

NÍVEL DE TRATAMENTO PARA EMISSÁRIOS

O tratamento dos esgotos é usualmente classificado em níveis de eficiência: preliminar, primário, secundário e terciário. O tratamento preliminar é responsável pela remoção de sólidos grosseiros, enquanto o tratamento primário visa à remoção de sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica. Em ambos, predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. O tratamento terciário objetiva a remoção de poluentes específicos (usualmente tóxicos ou não biodegradáveis) ou ainda, a remoção complementar de poluentes não suficientemente removidos no tratamento secundário.

Muito se tem debatido sobre qual o nível de tratamento mais adequado para o lançamento de esgotos por disposição oceânica. Em alguns países como nos EUA tornou-se obrigatório que o esgoto lançado por um emissário seja tratado a nível secundário.

No Brasil, antes da aprovação da Resolução Conama 430/2011, a concepção adotada para a maioria dos sistemas de disposição oceânica tinha o tratamento preliminar como etapa anterior ao lançamento. Embora essa concepção seja bastante atrativa do ponto de vista econômico, com o passar dos anos, a região pode apresentar uma degradação ambiental do ecossistema marinho.

Com a aprovação da Resolução Conama 430/11, ficou estabelecido que o lançamento de esgotos por disposição oceânica deve ser precedido por tratamento que garanta as seguintes características de lançamento:

  • pH entre 5 e 9;
  • temperatura: inferior a 40ºC;
  • a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3ºC no limite da zona de mistura;
  • após desarenação;
  • sólidos grosseiros e materiais flutuantes: virtualmente ausentes; e
  • sólidos em suspensão totais: eficiência mínima de remoção de 20%, após desarenação.

 

Comparando estações de tratamento secundárias e emissários submarinos, estes últimos mostram-se mais eficientes. Diluições de 1:100, comumente encontradas sobre os difusores de emissários, equivalem a um teórico tratamento com 99% de depuração, o que não é atingido pelos meios convencionais, mesmo com grandes investimentos.

A comparação teórica entre os diferentes níveis de tratamento é descrita na Tabela 3.

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Tabela 3: Típica redução de concentração de constituintes dos esgotos dependendo do nível de tratamento aplicado. Fonte: Cetesb.

Segundo Carvalho (2002), os impactos ambientais causados por descargas de emissários submarinos são usualmente pequenos e restritos a uma pequena área no entorno do emissário. Ademais, o impacto em águas superficiais pode ser reduzido a zero devido a uma possível retenção da pluma em camadas inferiores decorrente da estratificação de densidade do oceano.

Fica claro que, independente do nível de tratamento, a presença de um emissário submarino corretamente projetado e executado pode reduzir significativamente os riscos a saúde pública e os danos ao meio ambiente.

Assim, os sistemas de esgotamento sanitário em zonas costeiras podem e devem considerar em seus planos de saneamento ambiental a possibilidade técnica/econômica de emissários submarinos, lembrando que cada local tem suas próprias particularidades.

Um projeto de emissários precisa constar não somente com uma boa quantidade de dados ambientais e oceanográficos, mas também com um projeto eficiente que não permita que a pluma de dispersão atinja a zona de surfe.

 

BIBLIOGRAFIA
ABESSA, D. M. S.; RACHID, B. R. F.; MOSER, G. A. O.; OLIVEIRA, A. J. F. C Revisão: 2012. Efeitos ambientais da disposição oceânica de esgotos por meio de emissários submarinos. O Mundo da Saúde, 36:643-661
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9648 – Estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário – Procedimento, Rio de Janeiro: ABNT, 1986.
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CARVALHO, J., ROBERTS, P. J. W. & ROLDÃO, J. Field observations of ipanema beach outfall. Journal of Hidraulic Engineering, 151-160. 2002.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Emissários Submarinos – Praias. 2019.
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CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de monitoramento de emissários submarinos, 2007.
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LAMPARELLI, C.C. Desafios para o licenciamento e monitoramento ambiental de emissários: a experiência de São Paulo. In: Emissários Submarinos: Projeto, Avaliação de Impacto Ambiental e monitoramento. São Paulo. SMA, 2006.
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VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Editora UFMG, Minas Gerais, 2005.

 

Você sabe a diferença entre Enchente, Inundação, Enxurrada e Alagamento?

Por Gioce Berns para Acqualis Engenharia Hídrica 
Publicado em 28 de maio de 2018

Esses termos costumam ser ouvidos constantemente nos noticiários, geralmente associados a transtornos e prejuízos, principalmente em épocas de fortes chuvas. 

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Caminhão é arrastado por enxurrada. (Foto: Pablo Gomes/Zero Horas/AG.RBS FONTE: ClickRBS).

Para melhor compreender os fenômenos que podem ocorrer a partir das chuvas, é importante saber diferenciar cada um dos termos e quais processos de formação estão associados a eles. Apesar de todos serem oriundos das chuvas e do crescimento desordenado das cidades, cada um possui sua particularidade.

Entenda a seguir as principais diferenças entre Enchente, Inundação, Enxurrada e Alagamento.

Enchente (ou cheia): é o aumento do nível da água no canal de drenagem em função do aumento da vazão, atingindo a cota máxima do canal, porém, sem que isso gere transbordamento.

Inundação: é o transbordamento das águas de um curso de água. O transbordamento inunda a região quando o sistema de drenagem não é capaz de conter a vazão de chuva. Existem três tipos de inundação:

  • Inundação fluvial: quando fortes chuvas causam o transbordamento de rios e lagos;
  • Inundação marítima: originada por grandes ondas e ressacas;
  • Inundação artificial: causada por falhas humanas, como por exemplo o rompimento de barragens.

Enxurrada: é o escoamento superficial concentrado e com alta energia de transporte, originado em eventos chuvosos intensos ou extremos.

Alagamento: é o acúmulo momentâneo de águas em determinados locais por deficiência no sistema de drenagem, cobrindo obre pequena parte da planície.

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Perfil Esquemático de enchente, inundação e alagamento. (FONTE: Defesa Civil de São Bernardo do Camop/SP, 2011).

Diversas ações antrópicas são condicionantes para o agravamento e aumento da frequência dos fenômenos citados, entre elas estão: degradação da vegetação original, retificação de cursos de água, impermeabilização do solo e lançamentos de entulhos nas margens e canal de drenagem. Em vista disso, torna-se fundamental a efetivação de ações mitigatórias para prevenção de desastres relacionados às fortes chuvas.

As ações podem ir desde medidas não estruturais, como a limpeza periódica das drenagens da cidade, até a realização de obras estruturais, como telhados verdes e trincheiras de infiltração. Essas medidas buscam aumentar a área de infiltração e assim, contribuir para a redução da ocorrência e intensidade dos eventos extremos.

 

Tags: Gestão de Recursos Hídricos, Hidrologia, Água, Chuvas, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Encnehente, Inundação, Enxurrada, Alagamento.

Mais da metade das águas subterrâneas do sul da Ásia estão muito contaminadas.

Por The Guardiann 
Publicado em 30 de agosto de 2016

Salinidade e arsênio afetam 60% do suprimento subterrâneo dentro da vasta Bacia Indo-Ganges, de acordo com pesquisa publicada na Nature Geoscience.

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 Quinze a vinte milhões poços extraem água da bacia do Indo-Ganges a cada ano. Fotografia: Rajesh Kumar Singh / AP

Sessenta por cento das águas subterrâneas em uma bacia hidrográfica que suporta mais de 750 milhões de pessoas no Paquistão, Índia, Nepal e Bangladesh não é potável ou utilizável para a irrigação, dizem os pesquisadores.

Eles relatam que a maior ameaça para as águas subterrâneas na bacia do Indo-Ganges, nomeado pelos rios Indo e Ganges, não é o esgotamento, mas a contaminação, descrito na revista Nature Geoscience.

escassez de água globais para entregar ‘hit severo “para as economias, Banco Mundial adverte

“As duas preocupações principais são a salinidade e arsênico,” escreveram os autores do estudo.

Até mesmo a mais de 200 metros (650 pés), cerca de 23% da água subterrânea armazenada na bacia é muito salgado e cerca de 37% “é afetada por arsênio em concentrações tóxicas”, disseram.

A bacia do Indo-Ganges representa cerca de um quarto da extração mundial de água subterrânea – água doce que é armazenado no subsolo em fendas e espaços no solo ou rocha, alimentados por rios e chuvas.

Quinze a vinte milhões de poços extraem água da bacia todos os anos em meio a preocupações crescentes sobre o esgotamento.

O novo estudo – baseado em registros locais de níveis de águas subterrâneas e qualidade a partir de 2000 a 2012 – descobriu que o lençol freático foi estável ou crescente em cerca de 70% do aquífero.

Verificou-se estar caindo também nos outros 30%, principalmente perto de áreas altamente povoadas.

Águas subterrâneas pode se tornar salgadas através de causas naturais e artificiais, incluindo a irrigação da terra ineficiente e má drenagem.

O Arsênio também está naturalmente presente, mas os níveis são exacerbados pelo uso de fertilizantes e mineração.

O envenenamento por arsênico da água potável é um problema grave na região.

Para maiores informações, acesse:

https://www.theguardian.com/world/2016/aug/30/more-than-half-of-south-asias-groundwater-too-contaminated-to-use-study
Tags: Modelo de Previsão, Rios, Seca, Águas Subterrâneas, Água, Abastecimento de Água, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Qualidade da Água, Hidrologia, Mudanças Climáticas, Recursos Hídricos.

NOAA lança o primeiro modelo de previsão de águas nacionais dos Estados Unidos.

Por NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration 
Publicado em 16 de agosto de 2016

O Centro Nacional de Administração do Oceano e da Atmosfera dos Estados Unidos e seus parceiros desenvolveram uma nova ferramenta de previsão para simular como a água se move ao longo de rios e córregos do país, abrindo o caminho para o maior avanço na previsão de inundações que o país já viu.

Modelo Previsao Chuva

Lançado hoje o Modelo Nacional de Águas nos EUA que roda em um novo e poderoso supercomputador Cray XC40 da NOAA,  utilizando dados de mais de 8.000 medidores da USGS para simular as condições para 2,7 milhões de locais no Estados Unidos. O modelo gera previsões de hora em hora para toda a rede fluvial. Anteriormente, o NOAA só foi capaz de prever a vazão de 4.000 localidades a cada poucas horas.

O modelo também melhora a capacidade do NOAA para atender às necessidades de suas partes interessadas – como os gestores de emergência, operadores de reservatórios, socorristas, recreacionistas, agricultores, operadores de barcaças e gerentes de ecossistema e de inundações – ​​com informações mais precisas e detalhadas.

A nação americada tem experimentado uma série de inundações desastrosas nos últimos anos, incluindo a inundação em curso desta semana em Louisiana, acentuando a importância de previsões de águas mais detalhados para ajudarem as pessoas a se preparar.

“Com o clima em mudança, nós estamos experimentando secas mais prolongadas e freqüência de inundações recordes em todo o país, ressaltando a necessidade do país para informações detalhadas sobre as águaa”, disse Louis Uccellini, Ph.D., diretor do Serviço do Tempo Nacional. “O Modelo Nacional de Águas vai melhorar a resiliência aos extremos de água em comunidades americanas. Como nossas previsões ficam melhores, também melhora nosso planejamento e proteção de vidas e bens quando se tem muita água, pouco, ou de má qualidade da água “.

O anúncio de hoje cumpre um compromisso que o presidente Obama fez para o público americano no Dia Mundial da Água, em março. Em um comunicado da Casa Branca,  ele chamou de “transversal, soluções criativas para resolver os problemas de água de hoje, bem como estratégias inovadoras que irão catalisar a mudança na forma como usamos, conservamos, protegemos e pensamos sobre a água nos próximos anos. ”

Inicialmente, o modelo vai beneficiar previsões para inundações rápidas em áreas de nascentes e fornecer informações de previsão de água para muitas áreas que atualmente não estão cobertos. Como o modelo evoluiu, ele irá fornecer com maior detalhamento as previsões de nível nas ruas e mapas de inundação para melhorar avisos de enchentes, e se expandirá para incluir previsões de qualidade da água.

“Através da nossa parceria com a pesquisa, acadêmica e da comunidade de águas federais, o NOAA está trazendo a “arte da ciência” na previsão e no suporte operacional”, disse Thomas Graziano, Ph.D., diretor do novo Escritório do NOAA para previsão das águas no Serviço Nacional de Meteorologia. “Ao longo dos últimos 50 anos, as nossas capacidades têm sido limitadas a previsão de fluxo de rio em um número relativamente pequeno de locais. Este modelo expande os nossos locais de previsão em 700 vezes e disponibiliza variáveis ​​de água adicionais, tais como umidade do solo, escoamento superficial, velocidade da corrente, e outros parâmetros para produzir uma imagem mais completa do comportamento de água em todo o país “.

A tecnologia subjacente para o modelo foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR). O NOAA desenvolveu e implementou o modelo junto com o NCAR, o Consórcio das Universidades para o Avanço das Ciências Hidrológicas, a Fundação de Ciência Nacional, parceiros da Ciência Integrada em Recursos Hídrico e parceiros de Serviços Consórciados federais. Continuando a alavancar parcerias com a comunidade de pesquisa, o NOAA irá preparar novas colaborações e ainda maior inovação no futuro.

A missão do NOAA é compreender e prever as mudanças do meio ambiente da Terra, desde as profundezas do oceano à superfície do sol, e conservar e gerir os nossos recursos marinhos e costeiros. Junte-se a eles no Twitter, Facebook, Instagram e nossos outros canais de mídia social.

Para maiores informações, acesse:

http://www.noaa.gov/media-release/noaa-launches-america-s-first-national-water-forecast-model
Tags: Modelo de Previsão, Enchente, Rios, Seca, Água, Tecnologia, Abastecimento de Água, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Qualidade da Água, Hidrologia, Mudanças Climáticas, Recursos Hídricos.

Nova tecnologia de limpeza ambiental livra a água do óleo

Por Emil Venere para Phys.org
Publicado em 05 de abril de 2016
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Pesquisadores da Universidade de Purdue desenvolveram uma tecnologia para a remoção de óleos e outros poluentes da água, modificando esponjas melamina disponíveis comercialmente, o que representa uma potencial ferramenta para limpeza ambiental. Crédito: Mark Simons

Uma nova tecnologia que é fácil de fabricar e usa materiais disponíveis comercialmente faz com que seja possível remover continuamente óleos e outros poluentes da água, o que representa uma potencial ferramenta para a limpeza ambiental.

O material é hidrofóbico e superoleofílico, o que significa que rejeita água ao absorver óleos. É feito usando esponjas de melamina, um material poroso encontrados em vários produtos, incluindo esponjas de limpeza doméstica e materiais isolanteso. Os investigadores modificaram a esponja de melamina por imersão numa solução contendo uma pequena quantidade de borracha de silicone chamada PDMS e o solvente hexano, resultando em um revestimento extremamente fina que repele a água, enquanto permite que o óleo seja absorvido pela esponja.

“A razão pela qual nós estamos animados sobre isso é que ele é fabricado usando um processo de muito barato para revestir as esponjas de melamina, e o material pode ser reutilizado muitas vezes,” disse Suresh V. Garimella, vice-presidente executivo da Universidade de Purdue para pesquisa e parcerias e o Professor Goodson de Engenharia mecânica. “Acreditamos que este material pode ser facilmente adotado para a limpeza de derramamentos de óleo e vazamentos químicos industriais.”

Os resultados são detalhados em um artigo que apareceu on-line em março na American Chemical Society’s jounal & Engineering Chemistry Research. O documento foi escrito pelo pesquisadores Xuemei Chen, Justin A. Weibel e Garimella.

limpeza de óleo da água
A água é contaminada com óleo de silicone (tingido de vermelho) e o material de esponja recém-desenvolvido é arrastado pela superfície para absorver a camada de óleo; a esponja saturada de óleo flutua no prato e pode ser facilmente apanhada. Crédito: Justin Weibel

Chen fez a descoberta enquanto trabalhava no Centro de Nanotecnologia Birck no Discovery Park Purdue. Os investigadores demonstraram que o novo material pode remover óleos e poluentes químicos orgânicos que são imiscíveis com a água, tais como hidrocarbonetos, fluidos de arrefecimento e fluido de isolamento a partir de transformadores elétricos, compostos cancerígenos chamados PCBs e certos pesticidas.

“O alvo é qualquer poluente que é imiscível com água e que tem uma tensão superficial baixa”, disse Weibel.

Por outro lado, a água tem uma tensão superficial elevada, fazendo com que seja repelida pela esponja.

“Você precisa deste contraste da tensão superficial para o material de esponja remover o contaminante”, disse Garimella.

Outras tecnologias em desenvolvimento que incorporam propriedades hidrofóbicas e superoleofólicas são caros ou exigem o uso de materiais exóticos, como nanotubos de carbono e grafeno.

“Derramamento de petróleo a partir de fontes industriais causam graves danos ao meio ambiente”, disse Chen. “Os métodos convencionais utilizados para limpar óleos e poluentes orgânicos são lentos e dispendem grandes esforços. O desenvolvimento de materiais absorventes com elevada seletividade para os óleos é de grande importância ecológica para a remoção de poluentes a partir de fontes de água contaminada.”

Os resultados mostram que o material de esponja tem uma capacidade de absorção de 45 até 75 vezes o seu próprio peso, o que é comparável com outros materiais mais exóticos em desenvolvimento.

“Há duas maneiras de usar esta esponja”, disse Garimella. “Você pode simplesmente arrastá-la sobre a superfície da água para absorver o contaminante ou aplicar sucção para que ele continuamente extrai o óleo e deixa a água para trás.”

Para maiores informações, acesse:

http://phys.org/news/2016-04-environmental-cleanup-technology-oil.html
Tags: Águas Superficiais, Correntes Marítimas, Oceano, Poluição Hídrica, Desastres Ambientais, Modelagem Numérica, Remoção de Óleo

Vazamento de petróleo no Peru contamina afluente do rio Amazonas

Por Izabel Santos para Portal Amazônia
Publicado em 23 de fevereiro de 2016

O óleo poluiu trechos dos rios Chiriaco e Morona e, no mínimo, oito comunidades Achuar foram afetadas.

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Área afetada pelo vazamento de óleo. Foto: Divulgação/Oefa

MANAUS – Dois vazamentos no principal oleoduto do Peru causaram o derramamento de três mil barris de petróleo na bacia do rio Marañon, um dos afluentes do rio Amazonas. O local atingido pelos vazamentos está localizado distante cerca de 900 quilômetros da fronteira com o Brasil. O óleo poluiu trechos dos rios Chiriaco e Morona, localizados no noroeste peruano, onde existem comunidades ribeirinhas que dependem dos cursos d’água para subsistência. No mínimo oito comunidades Achuar foram afetadas.

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Área afetada pelo vazamento de óleo. Foto: Divulgação/Oefa

De acordo com informações da estatal Petroperu, o primeiro vazamento ocorreu no dia 25 de janeiro em Villa Hermosa, no Distrito de Imaza, Departamento de Amazonas, na altura do KM 441 do Oleoduto Norperuano. O incidente foi provocado por um deslizamento de terra por causa das fortes chuvas que atingem a região. A empresa afirma que “imediatamente foi executado o plano de contingência para controlar o vazamento”.

Mesmo assim, um trecho de 30 km do rio Chiriaco foi contaminado. O tempo chuvoso atrapalha os esforços da petroleira em minimizar os danos. Imagens de emissoras de comunicação peruanas mostram os rios cobertos por lama negra e florestas encharcadas.

O segundo vazamento foi identificado no dia 4 de fevereiro no KM 206 do Oleoduto Norperuano nas proximidades do Distrito de Morona, na província Datem del Marañón, Departamento de Loreto, a 13 km da Comunidade de Mayuriaga. As causas ainda estão sendo investigadas.

Emergência

Segundo matéria publicada no G1, o Ministério da Saúde do Peru declarou uma emergência de qualidade da água em cinco distritos nas proximidades dos vazamentos.

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Técnicos da Oefa coletam amostras de água para avaliar contaminação. Foto: Divulgação/Oefa

Ainda de acordo com a matéria, a Petroperu enfrentará multas equivalentes a U$$ 17 milhões se exames confirmarem que os vazamentos, ocorridos no final de janeiro e no início de fevereiro, prejudicaram a saúde dos locais atingidos, afirmou a Organismo de Avaliação e Fiscalização Ambiental do Peru (Oefa).

O que diz a empresa?

“A Petroperu continuará apoiando as comunidades afetadas pelo vazamento do Oleoduto Norperuano. A empresa está consternada e reafirma seu compromisso de limpar e remediar os danos causados ao meio ambiente, e recuperar o local nas mesmas condições de antes do incidente”.

A declaração foi dada pelo presidente da empresa, Germán Velásquez Salazar, ao Ministro da Saúde e ao presidente do Departamento de Loreto, René Chávez, em reunião em Datem del Marañón. A empresa também assumiu o compromisso de dar assistência com alimentos, água e atendimento médico as comunidades afetadas. Além disso, prometeu fazer poços artesianos nas comunidades que precisarem.

Fonte: Portal Amazônia
http://portalamazonia.com/noticias-detalhe/internacional/vazamento-de-petroleo-no-peru-contamina-afluente-do-rio-amazonas/
Tags: Amazônia, Qualidade da Água, Recursos Hídricos, Bacia Hidrográfica, Poluição Hídrica, Meio Ambiente, Petróleo, Hidrologia, Crise da água

A dessalinização Como uma das solução para falta de água na Califórnia

Por Steve Scauzillo para SGV Tribune
Publicado em 21 fevereiro de 2016
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A usina de dessalinização Carlsbad vista em uma sexta-feira, 4 de setembro 4 de 2015, faz fronteira com a Rodovia Intersestadual 5 em um lado e o Oceano Pacífico do outro em Carlsbad, Califórnia. A maior fábrica de dessalinização da água do mar das Américas irá produzir 50 milhões de litros de água potável para a área de San Diego a cada dia. A usina, que deve operar a partir deste ano, vai ajudar a determinar o futuro da dessalinização da água do mar nos Estados Unidos. (Foto / Lenny Ignelzi)

Quando se trata de encontrar novas fontes de água potável para os residentes de um Estado costeiro atolado na seca, a dessalinização surge como forte alternativa.

“Dessalinização deve ser uma prioridade”, disse a deputada Ling Ling Chang que introduziu um projeto de lei na semana passada que iria escrever metas pela primeira vez no código estatal de água para uma percentagem de água potável proveniente do mar.

Chang, que já atuou no conselho de Walnut Vale Water, disse que foi inspirada por Singapura e Austrália, que lutam contra secas extremas, em parte, através da construção de usinas de dessalinização. Seguindo o projeto de US $ 1 bilhão da usina de dessalinização Carlsbad em San Diego, a comunidade de Huntington Beach está em fase final de construção de uma usina que irá produzir 50 milhões de galões por dia, podendo ser inaugurada em 2019, de acordo com o site Poseidon Water, desenvolvedor de ambos os projetos de dessalinização.

Durante os 15 anos que levou para planejar a planta de Huntington Beach, a Austrália colocou seis usinas de dessalinização em operação, disse Chang. A Republicana acredita que o Estado não coloca ênfase suficiente na dessalinização como uma solução parcial para diminuição dos suprimentos de água causada por quase cinco anos de seca e mudando os padrões climáticos.

“Dessalinização em si é a prova contra falta d’água,” disse ela. “Você tem uma fonte de água existente.”

Um Projeto de Lei, em 1925,  instaurou o Departamento de Estado dos Recursos Hídricos “para encontrar métodos econômicos e eficientes de dessalinização da água para que a água dessalinizada pudesse ser disponibilizada para ajudar a atender as necessidades hídricas crescentes do Estado”, relata o projeto de lei.

Apesar de Chang não divulgar valores, ela pretende estabelecer metas para agências de água urbana do estado em 2025 e 2030 e espera ganhar força antes da votação final, em agosto. A conta é modelada após uma lei de 1997 que colocou metas no código estatal de água para água reciclada – água potável tirada de estações de tratamento de esgoto que, após tratamento avançado, seria utilizada para irrigação ou injetada em aquíferos subterrâneos para armazenamento.

Chang pode obter o apoio de seus colegas em todo o corredor. Em dezembro, o presidente do Senado Tem Kevin de León, de Los Angeles, e o Presidente da Assembléia Toni Atkins, de Diego, disseram apoiar o projeto de dessalinização de Huntington Beach.

Sem metas para dessalinização

“Atualmente não há metas estaduais ou metas para a dessalinização em lei estadual ou documentos de política”, disse Richard Mills, gerente do Departamento de Estado dos Recursos Hídricos para a reciclagem de água e dessalinização.

No entanto, as metas para a água reciclada fazem parte do Código de Águas da Califórnia, explicou.

Em 1991, a meta estadual foi de reciclar 863.400.000 metros cúbicos de água por ano até 2000 e 1.233.000.000 milhões de metros cúbicos por ano até 2010.

Mas ter uma meta não significa que ela seja cumprida. Mills disse que o departamento analisa metas para a água reciclada como “um fim para que o esforço seja dirigido com a implicação de que a realização pode exigir esforço ou luta extraordinária”, disse ele.

Na verdade, as metas de 2000 e 2010 foram perdidas, disse Mills. Uma pesquisa de águas residuais municipais revelou 825.200 de metros cúbicos em 2009.

Em 2010, o departamento re-estabeleceu as metas para a água reciclada, sendo de 1.233.000.000 milhões de metros cúbicos por ano até 2020 e 1.604.000.000 m³ em 2030. Além disso, o Conselho de Controle dos Recursos de Água do Estado, a agência que lidera o esforço de conservação de água obrigatória no estado, aprovou uma resolução com objetivos semelhantes para água reciclada.

O Estado reservou US $ 750 milhões da Proposição 1 adotada pelos eleitores em 2014. Desse total, a água reciclada vai receber US$ 625 milhões e a dessalinização US$ 100 milhões, disse Mills.

Chang disse que seu projeto não vai exigir mais dos fundos de obrigações do Estado para a construção de novas usinas de dessalinização. Isto é mais uma forte recomendação.

“Espero que seja um catalisador para a boa política”, disse ela.

Política questionada

A dessalinização é viável, mas alguns argumentam que não é uma boa política.

Long Beach testou uma pequena usina de 2005 até 2009 no Departamento de Água de Los Angeles de Água em East Long Beach. Autoridades da cidade disseram que era muito caro para operar. Eles estimaram que uma usina custaria US$ 10 milhões para construir e a água cerca de US$ 1.500 á US$ 2.500 para cada 1.233 m³ (1 acré-pé). A água importada do Distrito Metropolitano de Água do Sul da Califórnia custa cerca de US$ 1.000 por acre-pé (1.233 m³) em 2016.

Da mesma forma, a cidade de Los Angeles não fez da dessalinização uma prioridade.

Conner Everts, que estudou a dessalinização por 15 anos como co-presidente do Grupo de Resposta de Dessalinização e diretor executivo da Watershed Alliance Sul da Califórnia, disse que a conservação, seguido do tratamento da água (reciclagem) e de captação de águas pluviais são preferidos por cidades e agências de água no Estado.

“Quando você priorizar o abastecimento de água e a demanda, a dessalinização cai para o fundo”, disse Everts. “É o mais caro, o que mais necessita de energia, geram pouca quantidade de água e tem impactos ambientais.”

Válvulas de entrada que trazem a água do oceano sugam ovos de peixes e matam outros organismos minúsculos, de acordo com o site do Grupo de Resposta de Desalinização. O grupo adverte que o sal que retorna para o oceano cria zonas mortas que prejudicam a vida aquática.

A companhia Poseidon nega que suas fábricas prejudicam o ambiente aquático em suas usinas.

Everts disse que usinas de dessalinização caíram na ociosidade em Santa Barbara durante anos, bem como em cidades da Austrália depois que os esforços de conservação reduziram sua demanda.

Benefícios Recém-descobertos

No entanto, as usinas de dessalinização poderiam beneficiar cidades que lutam para atender às difíceis exigências de conservação de água da Califórnia.

A usina de Carlsbad, que fornece 10% das necessidades de água de San Diego. O Conselho de Qualidade da Água de San Diego está trabalhando com a agência estadual para certificar o abastecimento de água da usina como um benefício contra a seca.

 

Para maiores informações, acesse:

http://www.sgvtribune.com/environment-and-nature/20160221/is-desalination-part-of-the-future-of-water-in-california/
Tags: Água, Dessalinização, Gestão de Recursos Hídricos, Seca, Tratamento de Água, Escassez Hídrica, Gestão de Bacias Hidrográficas, Crise Hídrica, Demanda por Água

Exposição à poluição ambiental mata quase 7 milhões de pessoas por ano, alerta PNUMA

Por ONUBR
Publicado em 23 fevereiro de 2016

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alertou para o número crescente de problemas de saúde associados à degradação ambiental. Infecções transmitidas por água contaminada e imprópria para o consumo matam cerca de mil crianças por dia. Fatores ambientais seriam responsáveis por 23% das mortes prematuras. Agência da ONU também citou a zika, a malária e o ebola entre as doenças vinculadas a danos contra a natureza.

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Degradação do meio ambiente e poluição estão associadas a um número cada vez maior de problemas de saúde, segundo o PNUMA. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) chamou a atenção, no último dia 19 de fevereiro, para a longa e crescente lista de problemas de saúde associados à degradação ambiental. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 23% das mortes prematuras em todo o mundo poderiam ser atribuídas a fatores ambientais. Entre as crianças, a percentagem sobre para 36%.

“Todos os anos, quase 7 milhões de pessoas morrem, porque são expostas à poluição em ambientes internos e externos, (envolvendo) desde a produção de energia, a utilização de fornos, o transporte, fornalhas industriais até queimadas e outras causas”, afirmou o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O chefe da agência da ONU destacou que cerca de mil crianças morrem por dia devido a doenças transmitidas por água contaminada e imprópria para o consumo. No mundo, mais de 2 bilhões de indivíduos vivem regiões onde falta água.

O PNUMA mencionou a zika, a malária e o ebola entre as infecções cujos riscos são agravados conforme a degradação da natureza aumenta. Diferentes tipos de câncer e formas de intoxicação também foram citados.

“Há uma consciência crescente de que os humanos, pela sua intervenção no meio ambiente, desempenham um papel fundamental no recrudescimento ou na mitigação dos riscos à saúde”, disse Steiner.

Um exemplo consistente é o Protocolo de Montreal, acordo que foi implementado em 1989 e que retirou de circulação quase 100 substâncias nocivas à camada de ozônio. Segundo o PNUMA, estimativas indicam que, graças à iniciativa, cerca de 2 milhões de casos de câncer de pele serão prevenidos até 2030. Até 2060, a proibição dessas substâncias deve gerar ganhos de até 1,8 trilhão de dólares para os setores de saúde.

Outra medida lembrada pela agência foi a remoção de chumbo dos combustíveis, o que estaria contribuindo para evitar 1 milhão de mortes prematuras por ano. A eliminação do metal da composição da gasolina poderá aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) global em até 4%.

Além de combaterem a disseminação de doenças infecciosas, investimentos em saneamento e água potável também podem ser lucrativos. O PNUMA calcula que, para cada dólar investido no setor, lucra-se entre cinco e 28 dólares.

A relação entre saúde e meio ambiente será amplamente debatida na Assembleia Ambiental das Nações Unidas, que acontecerá ao final de maio. Durante a ocasião, o PNUMA lançará um relatório sobre o tema a fim de promover a discussão sobre os vínculos entre desenvolvimento, meio ambiente, saúde e economia.

 

Para maiores informações, acesse:

https://nacoesunidas.org/exposicao-a-poluicao-ambiental-mata-quase-7-milhoes-de-pessoas-por-ano-alerta-pnuma/
Tags: Clima, Meio Ambiente, Água Contaminada, Gerenciamento da Água, Poluição Hídrica, Gestão de Bacias Hidrográficas, Saúde Ambiental, Demanda por Água

Mais da metade da população mundial sofre com escassez severa de água, dizem especialistas

Por Chris Mooney para The Washington Post
Publicado em 12 fevereiro de 2016
Nova pesquisa alarmante descobriu que 4 bilhões de pessoas ao redor do mundo – incluindo perto de 2 bilhões na Índia e na China – vivem em condições de extrema escassez de água pelo menos um mês durante o ano. Meio bilhão, enquanto isso, sofrem com a falta de água durante todo o ano.
O Mar de Aral em 2015. O corpo de água encolheu em tamanho dramaticamente nos últimos anos devido à retirada de água dos rios que o alimentam. (Observatório da Terra NASA). Fonte: The Washington Post

O novo estudo, realizado por Mesfin Mekonnen e Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente, na Holanda, utiliza um modelo global de alta resolução para examinar a disponibilidade de “água azul” – tanto de água doce superficial quanto de subterrânea – em comparação com a sua demanda pela agricultura , indústria e necessidades domésticas humanos. O modelo – com resolução que 60×60 quilômetros no equador – também levou em conta fatores climáticos, ecológicos (quanta água é necessária para sustentar um ecossistema fluvial ou lago) e outras causas de depleção como a evaporação simples.

“Nós achamos que 4 bilhões de pessoas vivem em áreas que sofrem escassez severa de água, pelo menos, uma parte do ano, o que é mais do que se pensava anteriormente, com base nesses estudos anteriores feitos em uma base anual”, diz Hoekstra, que publicou o trabalho na Science Advances Friday. “Você tem que olhar realmente mês a mês, a fim de monitorar a escassez.”

Esses estudos anteriores tinham encontrados totais de cerca de 1,7 e 3,1 bilhões, em vez dos atuais 4 bilhões. O novo total inclui 120 milhões de pessoas que vivem nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia, bem como outros estados ocidentais.

A demanda de água está aumentando em todo o mundo com o crescimento da população e da agricultura, mas o estudo diz que há água total global suficiente para todas as necessidades. No entanto, o problema é que não é sempre suficiente em todos os locais onde ela é necessária, quando é necessária.

“Os altos níveis de escassez de água parecem prevalecer em áreas com alta densidade populacional, quer … ou com a presença de muita agricultura irrigada … ou ambos”, escrevem os autores. Na verdade, eles também observam que em partes-chave do mundo – incluindo as bacias hidrográficas do rio Ganges e do rio Limpopo – “o consumo de água e sua disponibilidade são anticíclicos, com o consumo de água sendo maior quando a disponibilidade de água é menor”.

De longe, a principal fonte de demanda de água humana é a agricultura, diz Hoekstra, seguido pelo setor industrial. Casas humanas individuais tendem a exigir o mínimo de água em geral, cerca de 1 a 4 por cento do total, diz ele.

No estudo, condições de escassez severa de água estavam determinadas a existir em uma área em que havia o dobro da demanda de água frente sua disponibilidade.

É importante salientar, Hoekstra diz, que a escassez de água não significa que os seres humanos, de repente irão ficar sem água potável. Em primeiro lugar, é possível encontrar condições de escassez quando se retira mais água do que do que o necessário para alimentar de maneira sustentável rios, lagos ou sistemas de águas subterrâneas. Isso é exatamente o que aconteceu no Mar de Aral, na Ásia Central (foto acima), que o jornal chama de “o exemplo mais proeminente de um lago a desaparecer como resultado da redução da vazão do rio.”

Além disso, se ocorrer grave escassez de água, o impacto principal é geralmente em sistemas agrícolas e agricultores, uma vez que eles precisam de mais água.

“Você nunca pode dizer que as pessoas não têm água potável por causa da escassez de água”, diz Hoekstra. “É realmente sobre a água limitada à agricultura, por isso impacta os agricultores e a segurança alimentar”. Assim, o que a pesquisa realmente destaca é que as regiões podem enfrentar crises alimentares no futuro, caso aconteça baixa quantidade de precipitação ou se entre em um período prolongado de seca.

Em tais situações, o que importa a seguir é a riqueza ou a pobreza. Sociedades ricas podem comprar sua comida e sua água de outros lugares. os pobres estão em uma situação totalmente diferente.

“Se é um país pobre, então o país estará realmente em apuros, e as pessoas não terão nenhum alimento”, diz Hoekstra.

Ou como o estudo conclui: “A humanidade precisa aumentar sua demanda por água doce protegendo os ecossistemas ao mesmo tempo, mantendo assim pegadas d’água azul dentro de níveis máximos sustentáveis ​​por bacia hidrográfica. Esse será um dos desafios mais difíceis e importantes do século XX.”

 

Para maiores informações, acesse:

https://www.washingtonpost.com/news/energy-environment/wp/2016/02/12/the-world-has-even-bigger-water-problems-than-we-thought/
Tags: Gerenciamento da Água, Escassez Hídrica, Gestão de Bacias Hidrográficas, Falta de Água, Crise Hídrica, Demanda por Água

Mineradoras tem 5 dias para comprovar apresentação de plano de emergência

Adaptado de Oeco.org.br
Publicado em 28 janeiro de 2016
Termina na próxima semana, dia 1 de fevereiro, o prazo para as mineradoras apresentarem o comprovante de entrega do Plano de Ação de Emergência de Barragem de Mineração para as prefeituras e Defesa Civil de estados e municípios. O prazo foi determinado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que regulamenta o setor de mineração.
Barragem Samarco
Distrito de Bento Rodrigues, Município de Mariana, Minas Gerais, completamente destruído pelo tsunami de rejeitos que se desprenderam da barragem. Foto: Rogério Alves/TV Senado.
Caso as mineradoras descumpram o prazo, o órgão poderá interditar as atividades nas barragens e impor sanções administrativas. As barragens só voltarão a funcionar mediante a comprovação da entrega do plano de ação de emergência.
Desde 2013, com a publicação da Portaria nº 526 do DNPM, as mineradoras são obrigadas a entregar cópias físicas de seus planos de emergência. Porém, poucas cumpriram com essa exigência até o momento. Esse plano informa os procedimentos que serão seguidos pelos operadores de barragens e pelas autoridades públicas em caso de emergência.

Para maiores informações, acesse:

http://www.oeco.org.br/noticias/mineradoras-tem-15-dias-para-apresentar-plano-de-emergencia/
Tags: Rompimento de Barragem, Alagamento, Inundações, Propagação de Onda de Cheia, Gestão de Barragens, Plano de Ação de Emergência de Barragem, Mineração, DNPM