Tsnumami Meteorológico Atinge Santa Catarina

Por Felipe Odreski

Publicado em 30 de Outubro de 2019

Onda de maré gerada por uma tempestade que passou na região sul do Estado foi captada por marégrafos da região e assustou moradores.

Vídeo 1: Vídeo repassado em redes sociais mostra o exato momento da subida brusca de maré na praia da Guarda do Embaú, Santa Catarina.

O dia 29 de outubro de 2019 ficou marcado em algumas praias da região sul de Santa Catarina por conta de uma elevação repentina dos níveis de maré. O vídeo mostrado acima ilustra o momento em que ocorre uma rápida ascensão do mar na praia e assusta as pessoas no local.

O evento é chamado de tsunami meteorológico e foi gerado por uma forte tempestade no período da tarde.

O fenômeno ocorre devido a tempestades que geram fortes gradientes de pressão próximas ao nível do mar e com rápido potencial de deslocamento. Essa transferência de energia atmosfera/oceano rebaixa o nível maregráfico no centro da baixa pressão gerada, “empurrando” para cima os níveis do entorno contando ainda com a velocidade e direção de deslocamento da mesma. Esses são eventos de difícil previsão, pois ocorrem de forma localizada e muito rápida.

Os marégrafos da EPAGRI/CIRAM da região registraram a elevação incomum do nível do mar. Em Florianópolis, o mar subiu aproximadamente 80 centímetros em menos de 15 minutos e em Imbituba e Balneário Rincão os picos foram ainda maiores.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Florianópolis. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Imbituba. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Balneário Rincão. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

 

Tags: Tsunami Meteorológico, Oceanografia, Meio Ambiente, Marés, Mudanças Climáticas.

Emissários Submarinos: uma alternativa eficiente para sistemas de esgotamento sanitário costeiros

Por Felipe Odreski e Gioce Berns

Publicado em 23 de agosto de 2019

O tratamento e disposição final de efluentes costeiros aproveitando o volume marinho e as correntes costeiras pode ser uma ótima escolha.

 

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Figura 1: Imagem de emissário submarino. Fonte: Royal HaskoningDHV.

Não é de hoje que a zona costeira tem sido núcleo do assentamento de populações humanas, abrigando diversas atividades, gerando resíduos com destaque para o esgoto doméstico, que é uma das formas de poluição mais comum das regiões costeiras. O esgoto sanitário pode ser definido como “Despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas”. A quantidade de esgoto gerada em uma cidade ou região varia de acordo com as características socioeconômicas da população, da disponibilidade hídrica, do clima e das atividades desenvolvidas.

Os esgotos domésticos geralmente apresentam uma composição típica, com compostos orgânicos, nutrientes e organismos patogênicos e não patogênicos. De modo geral, os principais impactos ambientais possíveis gerados pelo lançamento de esgotos no mar são:

  • contaminação microbiológica;
  • acréscimo de matéria orgânica e nutrientes no meio marinho (podendo levar à eutrofização);
  • aumento da turbidez, afetando a produção primária e os organismos filtradores;
  • contaminação química, gerando efeitos tóxicos sobre a biota.

 

SISTEMA DE DISPOSIÇÃO OCEÂNICA

Uma das soluções encontradas para os esgotos gerados no litoral é a disposição oceânica. Neste sistema, o vasto volume e a grande capacidade de dispersão e autodepuração das águas marinhas são utilizados como disposição final dos esgotos, auxiliando na redução das concentrações poluentes a níveis permitidos pela legislação. Além disso, o sistema permite afastar o efluente tratado dos estuários e praias que acabariam chegando até zonas de banho e contato trazendo consequências diretas para a saúde humana.

A autodepuração pode ser entendida como um processo natural de recuperação de um ambiente aquático que recebe cargas poluentes, através da decomposição dos poluentes orgânicos.

De modo geral, um sistema de disposição oceânica é constituído pelas seguintes unidades (Figura 2): Estação de pré-condicionamento; câmera ou chaminé de equilíbrio; emissário submarino e tubulação difusora, através da qual o efluente é lançado no fundo do mar por vários bocais ou orifícios.

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Figura 2: Esquema de um sistema de disposição oceânica. Fonte: Adaptado de Bleninger

 

Um bom projeto e execução com adequado dimensionamento e localização do emissário submarino em termos de distância e profundidade, são capazes de promover o processo de mistura e reduzir as concentrações dos contaminantes dos efluentes. Esta solução, embora traga muitos benefícios, pode também acarretar em sérios prejuízos ambientais caso não forem bem dimensionados e operados.

Os estudos que embasam um projeto definitivo para dimensionamento de extensão, diâmetro da tubulação, número de emissores devem levar em conta vários fatores. É preciso que as plumas de contaminantes não atinjam a zona de surf para impedir o carreamento do efluente até a praia e manter a promover a balneabilidade do ambiente costeiro. A Figura 3 abaixo ilustra um resultado de um estudo de modelagem hidrodinâmica da Acqualis Engenharia Hídrica em área de emissário.

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Figura 3: Campos de correntes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem hidrodinâmica em um instante de maré englobando região de emissário submarino.

A Figura 4 apresenta estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem de dispersão e autodepuração de coliformes fecais em projeto para emissário submarino

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Figura 4: Pluma de dispersão de coliformes termotolerantes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica para modelagem de dispersão e decaimento provenientes de emissário submarino em um instante de maré.

APLICAÇÃO DA TECNOLOGIA NO BRASIL E NO MUNDO

Vários países no mundo têm utilizado o Sistema de Disposição Oceânica de Esgotos Sanitários como a principal tecnologia de tratamento de águas residuárias em regiões costeiras. Na Tabela 1 estão alguns dos sistemas de disposição oceânica instalados pelo mundo e suas principais características. 

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Tabela 1: Características de alguns sistemas de disposição oceânica de esgotos sanitários instalados pelo mundo. Fonte: Roberts et al.,2010.

Na Florida (EUA), o tratamento secundário tem sido adotado como opção de tratamento antes de chegar até os emissários submarinos. Ao todo, seis sistemas de disposição oceânica foram instalados no sul da Florida, conforme pode ser visto na Figura 5.

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Figura 5: Localização dos emissários submarinos do sul da Florida. Fonte: Heaney et al.,2006.

 

No Brasil, a disposição oceânica de efluentes urbanos por meio de emissários submarinos tem sido escolhida como uma alternativa satisfatória por alguns autores, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista da melhoria da balneabilidade das praias, tendo sido adotada em diversas cidades litorâneas brasileiras.

Entre as cidades que adotaram o sistema de disposição oceânica no Brasil estão Santos, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Aracaju. Na Tabela 2 estão as principais características de alguns dos emissários localizados no Brasil.

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Tabela 2: Características de alguns emissários submarinos em funcionamento no Brasil. Fonte: Roberts et al.,2010.

O estado de São Paulo concentra a maior quantidade de emissários, com um total de oito sistemas, cinco na Baixada Santista e três no Litoral Norte (Figuras 6 e 7).

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Figura 6: Localização dos Emissários Submarinos da Baixada Santista (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

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Figura 7: Localização dos Emissários Submarinos do Litoral Norte (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

Atualmente, existe um Edital de licitação aberto pela SABESP que tem o objetivo de revisar e atualizar o plano diretor de visando promover a eficiência do sistema de esgotamento sanitário. Caso esses estudos venham a se concretizar, é possível que sejam apontadas modificações do quadro atual com possíveis alterações em termos de dimensionamento, número e localização dos emissários submarinos.

 

NÍVEL DE TRATAMENTO PARA EMISSÁRIOS

O tratamento dos esgotos é usualmente classificado em níveis de eficiência: preliminar, primário, secundário e terciário. O tratamento preliminar é responsável pela remoção de sólidos grosseiros, enquanto o tratamento primário visa à remoção de sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica. Em ambos, predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. O tratamento terciário objetiva a remoção de poluentes específicos (usualmente tóxicos ou não biodegradáveis) ou ainda, a remoção complementar de poluentes não suficientemente removidos no tratamento secundário.

Muito se tem debatido sobre qual o nível de tratamento mais adequado para o lançamento de esgotos por disposição oceânica. Em alguns países como nos EUA tornou-se obrigatório que o esgoto lançado por um emissário seja tratado a nível secundário.

No Brasil, antes da aprovação da Resolução Conama 430/2011, a concepção adotada para a maioria dos sistemas de disposição oceânica tinha o tratamento preliminar como etapa anterior ao lançamento. Embora essa concepção seja bastante atrativa do ponto de vista econômico, com o passar dos anos, a região pode apresentar uma degradação ambiental do ecossistema marinho.

Com a aprovação da Resolução Conama 430/11, ficou estabelecido que o lançamento de esgotos por disposição oceânica deve ser precedido por tratamento que garanta as seguintes características de lançamento:

  • pH entre 5 e 9;
  • temperatura: inferior a 40ºC;
  • a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3ºC no limite da zona de mistura;
  • após desarenação;
  • sólidos grosseiros e materiais flutuantes: virtualmente ausentes; e
  • sólidos em suspensão totais: eficiência mínima de remoção de 20%, após desarenação.

 

Comparando estações de tratamento secundárias e emissários submarinos, estes últimos mostram-se mais eficientes. Diluições de 1:100, comumente encontradas sobre os difusores de emissários, equivalem a um teórico tratamento com 99% de depuração, o que não é atingido pelos meios convencionais, mesmo com grandes investimentos.

A comparação teórica entre os diferentes níveis de tratamento é descrita na Tabela 3.

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Tabela 3: Típica redução de concentração de constituintes dos esgotos dependendo do nível de tratamento aplicado. Fonte: Cetesb.

Segundo Carvalho (2002), os impactos ambientais causados por descargas de emissários submarinos são usualmente pequenos e restritos a uma pequena área no entorno do emissário. Ademais, o impacto em águas superficiais pode ser reduzido a zero devido a uma possível retenção da pluma em camadas inferiores decorrente da estratificação de densidade do oceano.

Fica claro que, independente do nível de tratamento, a presença de um emissário submarino corretamente projetado e executado pode reduzir significativamente os riscos a saúde pública e os danos ao meio ambiente.

Assim, os sistemas de esgotamento sanitário em zonas costeiras podem e devem considerar em seus planos de saneamento ambiental a possibilidade técnica/econômica de emissários submarinos, lembrando que cada local tem suas próprias particularidades.

Um projeto de emissários precisa constar não somente com uma boa quantidade de dados ambientais e oceanográficos, mas também com um projeto eficiente que não permita que a pluma de dispersão atinja a zona de surfe.

 

BIBLIOGRAFIA
ABESSA, D. M. S.; RACHID, B. R. F.; MOSER, G. A. O.; OLIVEIRA, A. J. F. C Revisão: 2012. Efeitos ambientais da disposição oceânica de esgotos por meio de emissários submarinos. O Mundo da Saúde, 36:643-661
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9648 – Estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário – Procedimento, Rio de Janeiro: ABNT, 1986.
BLENINGER, T. O Sistema do Emissário Submarino: Tratamento, disposição e autodepuração.
BLENINGER, T.; JIRKA; ROBERTS, P. Mixing Zone Regulations for Marine Outfall Systems. In: International Symposium on Outfalls Systems, Mar del Plata. Proceedings of the International Symposium on Outfalls Systems, v.1.p.1-5, 2011.
BRASIL, 2005. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 357. Brasília, 17 de março de 2005. 23p.
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CARVALHO, J., ROBERTS, P. J. W. & ROLDÃO, J. Field observations of ipanema beach outfall. Journal of Hidraulic Engineering, 151-160. 2002.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Emissários Submarinos – Praias. 2019.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Opções para tratamento de esgotos de pequenas comunidades. São Paulo: CETESB, 1988. 36 p.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de monitoramento de emissários submarinos, 2007.
ECHAVARRI-ERASUN, B.; JUANES, J.A.; PUENTE, P.; REVILLA, J.A. Coastal outfalls, a sustainable alternative  for improving water quality in north-east Atlantic estuaries. J. Environ. Monit., 12, 1737-1746. 2010.
GREGORIO, H. P. Modelagem Numérica da Dispersão da Pluma do Emissário Submarino de Santos. São Paulo. 2009.
HEANEY, J.P.; KOOPMAN, B; CAKIR, F.Y; REMBOLD, M.; INDEGLIA, P.; KINI, G. Ocean Outfall Study. University of Florida. 241 pp, 2006.
LAMPARELLI, C.C. Desafios para o licenciamento e monitoramento ambiental de emissários: a experiência de São Paulo. In: Emissários Submarinos: Projeto, Avaliação de Impacto Ambiental e monitoramento. São Paulo. SMA, 2006.
LEE, J.H.W. Need for sea outfalls, wastewater disposal, environmental regulation. Grecia, 2003.
MAIER, R.M.; PEPPER, I.L.; GERBA, C.P. Environmental Microbiology. Academic Press, San Diego. 2000.
ORTIZ, J.P.; ARASAKI, E.; MARCELLINO, E.B.; SILVA, O.F.; FORTIS, R.M. Modelagem aplicada à simulação do escoamento da pluma de efluentes de emissários submarinos no litoral paulista. In: Emissários Submarinos: Projeto, Avaliação de Impacto Ambiental e monitoramento. São Paulo. SMA, 2006.
ROBERTS, P.J.W.; SALAS, J.H; REIFF, F.M.; LIBHABER, M.; LABBE, A.; THOMSON, J.C. Marine wastewater outfalls and treatment systems. IWA Publishing, London, OK, 2010.
VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Editora UFMG, Minas Gerais, 2005.

 

Cientistas holandeses avaliam inundações costeiras futuras

Por Deltares 
Publicado em 25 de abril de 2017

A combinação do subsidência da terra e da ascensão do nível de mar aumentará as zonas inundáveis costeiras do mundo e aumentará o número de povos expostos Para o risco de inundações por 20 milhões em 2080.

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Fonte: Deltares.

Pesquisadores da Deltares e do Instituto de Estudos Ambientais (IVM-VU) tem estudado os riscos de inundações em todas as costas do mundo até o final deste século. Os resultados foram apresentados em 25 de abril no EGU em Viena. A conclusão é que a ameaça associada a tempestades severas em todo o mundo está aumentando devido à subsidência da terra e ao aumento do nível do mar: 50% mais pessoas estarão expostas a esses riscos em 2080 do que atualmente.

Subsidência da terra e elevação incluídas

A inundação fluvial vem sendo avaliada em todo mundo como Instituto de Recursos Mundiais usando a ferramenta ‘Aqueduct’. Dirk Eilander (Deltares) e Philip Ward (IVM-VU) juntaram-se com outros pesquisadores para estender o uso desta ferramenta para incluir inundações costeiras e integrar dados sobre mudanças nos níveis de água do mar, bem como, a combinação de eventos com marés de sizígia. Pela primeira vez, os pesquisadores utilizaram modelos físicos com cobertura global para simular marés e tempestades no mar. Além disso, um novo método tem sido usado para traçar as inundações costeiras em todo o mundo com mais precisão. Os dados geográficos e os dados de elevação das zonas costeiras foram introduzidos com precisão nos modelos utilizados, tendo em conta declives íngremes ou suaves e vegetação local. Os edifícios e densidades populacionais nas costas foram utilizados para traçar os impactos das cheias. Dados desse tipo nunca foram examinados antes através de modelos físicos na escala global.

Comparação com inundações observadas

O modelo foi comparado com as inundações observadas após a tempestade Xynthia, na França, em fevereiro de 2010 e a comparação produziu uma boa correspondência. Ao realizar análises semelhantes em outros locais, esperamos ser capazes de mapear inundações costeiras em todo o mundo de uma forma mais realista. Os níveis de água do mar no futuro basearam-se em dois cenários diferentes para as emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que concentrações mais elevadas ou mais baixas de dióxido de carbono, vapor de água e metano afetam o clima de várias maneiras, resultando em padrões climáticos mais ou menos extremos.

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Fonte: Deltares.
50% mais vítimas

Dez por cento da população mundial vive em áreas baixas a menos de dez metros acima do nível do mar. Muitas dessas áreas estão em risco de inundações. A expectativa é de que, em conseqüência do aumento do nível do mar e do afundamento da terra, 50% mais pessoas possam ser afetadas em 2080 por inundações graves que normalmente ocorrem a cada 100 anos. O crescimento populacional e a migração não foram incluídos nesta estimativa. A maioria das vítimas em potencial (metade do número total em todo o mundo) está localizada em quatro países: China, Bangladesh, Índia e Indonésia.

Dirk Eilander: “Essas novas figuras sobre inundações costeiras fornecem uma boa imagem de onde os riscos são mais altos em todo o mundo. Embora alguns grandes países se destaquem em números absolutos, ilhas menores serão geralmente serão mais afetadas em termos relativos.

Próxima etapa: impacto socioeconômico

A extensão da plataforma Aqueduct ainda não foi completamente concluída. A plataforma será disponibilizada ao público em geral este ano. As próximas etapas incluirão a incorporação de aumentos projetados da densidade populacional e da atividade econômica, os efeitos (em termos de danos e baixas) dos vários prognósticos e a inclusão de diferentes níveis de proteção para cada país. Isto completará a imagem: os potenciais riscos de inundação estarão ligados às consequências para a segurança das populações locais e danos aos seus bens. Como resultado, a ferramenta será adequada para uso como um instrumento de política para os decisores que trabalham na gestão de risco de inundação (como autoridades governamentais).

http://media.egu.eu/press-conferences-2017/#coastlines+water

Para maiores informações, acesse:

https://www.deltares.nl/en/news/nederlandse-wetenschappers-brengen-toekomstige-kustoverstromingen-in-kaart-in-2080-50-meer-mensen-bedreigd/

Tags: Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Inundação Costeira, Tempestades

Nova York se prepara contra elevação do nível do mar

Por Jamie Condliffe para MIT Technology Review 
Publicado em 30 de Janeiro de 2017

As áreas litorâneas do nordeste dos Estados Unidos podem experimentar enormes aumentos no nível do mar até 2100, e sua maior cidade já está se preparando.

 

Aumento do Nível do Mar

 Como o aumento do nível do mar continua a representar uma ameaça para as regiões costeiras dos Estados Unidos, as regiões mais baixas e densamente povoadas como a cidade de Nova York estão repensando sua abordagem para o ambiente construído. Fonte: MIT Technology Review

Na semana passada, um relatório da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana) alertou que as regiões costeiras dos EUA estão se preparando para enfrentar um futuro de aumento constante do nível do mar. No pior dos casos, partes da América poderiam experimentar aumentos no nível do mar de até 2,5 metros até 2100. E, como disse o oceanógrafo da NOAA William Sweet à CBS News, “não está subindo como água numa banheira … na região nordeste espera-se que os níveis subam mais rápido. “

Nova York, em particular, enfrenta um enigma sério: a área possui altitudes baixas e imóveis incrivelmente caros. Desde 2012, quando foi devastada pela super-tormenta Sandy, a cidade tem planos ambiciosos para defender-se de “ataques” do mar – entre eles, uma grande cadeia de ilhas artificiais e uma gigantesca muralha desenhada pela empresa de arquitetura dinamarquesa Bjarke Ingels Group .

Mas a ameaça das marés crescentes está moldando a mudança em um nível mais básico, também. O New York Times relata que o risco de inundações futuras está mudando a maneira que os edifícios são projetados na cidade. Longe, por exemplo, são as coberturas do andar superior, substituídas em vez disso por geradores de emergência que não serão inundados – e podem fornecer energia suficiente para que os moradores permaneçam em seu apartamento por um período de uma semana. Em outros lugares, sistemas de drenagem especiais canalizam a água para dentro das fundações e os pisos térreos estão sendo construídos com materiais que podem tolerar inundações.

Enquanto isso, Curbed relata que iniciativas também estão em andamento fora de Manhattan. Em Broad Channel Island, no bairro de Queens, os níveis de rua estão sendo levantados para que as calçadas e estradas sejam mais altas do que anteriormente em relação às águas próximas da Baía da Jamaica. E em outro distrito de Queens, Breezy Point, novas casas estão sendo construídas em plataformas levantadas para salvá-los de inundações.

Se tudo isso falhar, poderíamos abraçar os mares. O governo da Polinésia Francesa acabou de concordar em considerar a possibilidade de hospedar uma cidade de ilhas flutuantes, que estão há tempos sendo desenvolvidas pelo Instituto Seasteading. A idéia: pequenas estruturas flutuantes empregam energia renovável e aquicultura sustentável para permitir que os habitantes se defendam em harmonia com o oceano.

Mas para assentamentos como Nova York, atualmente esta não é uma opção. Em vez disso, é hora de projetar para o pior e esperar o melhor.

(Leia mais: CBS News, New York Times, Curbed, “A cidade de Nova York está pesando planos ambiciosos para as defesas de inundação”, “A vida abaixo do nível do mar na nova era da engenharia climática.”

Para maiores informações, acesse:

https://www.technologyreview.com/s/603527/new-york-city-is-building-for-a-future-of-flooding/
Tags: Água Marítimas, Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica

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Costa do Brasil novamente embaixo da água evidencia necessidade urgente de planejamento

Por Felipe Odreski para Acqualis Engenharia Hídrica 
Publicado em 20 de setembro de 2016

A elevação do nível do mar é tão nítida que acende um alerta imediato para planejamento da zona costeira brasileira por poderes públicos, comerciantes e cidadãos civis.

Parece que está virando rotina, mas a verdade é que eventos marítimos estão causando níveis de águas oceânicas recordes na região costeira do país. Além disso, eles possuem a tendência de serem cada vez mais intensos e frequentes. Apesar da erosão costeira e eventos críticos sempre fazerem parte da história, fica evidente que as consequências e preocupações atuais são fortemente crescentes e que a tendência é de um agravamento contínuo para os próximos anos.

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 SC 405, única via de acesso ao sul da ilha de Florianópolis, completamente embaixo da água.

De norte ao sul da costa de Santa Catarina, Paraná e estado de São Paulo voltaram a sofrer com outra elevação brusca do nível do mar em cerca de 30 dias após uma série de alagamentos que assustaram cidades litorâneas.

As consequências geradas pelos alagamentos são graves. Em Florianópolis, não foram só o comércio, o município e moradores que sofreram com a invasão da água, mas os alagamentos transformaram a cidade na última sexta-feira em um verdadeiro caos. Se as limitações geográficas da ilha de Santa Catarina e a mobilidade urbana mais precária do país não fossem motivos de sobra para atrapalhar, a elevação do nível do mar em patamar recorde bagunçou o cotidiano local. Várias estradas e ruas fundamentais para o fluxo automotivo e comércio pareciam realocadas “dentro do mar”, deixando os motoristas parados por horas até que as águas voltassem a abaixar.

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 Florianópolis viveu um verdadeiro caos urbano na última sexta-feira.

Em Balneário Camboriú, moradores compartilharam vídeos e fotos mostrando a “invasão” do mar e ondas na Avenida Beira Mar, complicando a locomoção e preocupando moradores e comerciantes do local.

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 Balneário Camboriú foi outro dos muito lugares que viu o mar invadindo áreas urbanizadas.

São José, Paranaguá, Santos e várias outras cidades, também sofreram com a elevação do nível do mar deixando áreas completamente submersas em águas salgadas.

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Em Santos, ruas também foram alagadas. Fonte: Alex Ferraz para A Tribuna.

Os alagamentos foram resultados do alto nível astronômico maregráfico, maré de sizígia caracterizada pela lua cheia, combinado com um evento meteorológico de uma tempestade ciclônica próxima à costa brasileira.

ciclone-empilhaEvento ciclônico que ajudou na superelevação do nível do mar na última sexta-feira.

O que mais chama a atenção nesse caso, é que em muitos desses lugares não tivemos um só pingo de chuva. Graças a Deus, pois a combinação de eventos desse tipo com chuvas fortes (condição normal nesses casos) teria causado consequências muito piores. Os alagamentos seriam ainda mais desastrosos devido à impossibilidade que águas pluviais teriam para escoar para o mar, já que seriam impedidas fruto do empilhamento das águas marítimas na zona costeira. A sorte, desta vez, foi que as grandes nuvens carregadas de chuva se deslocaram para o oceano e afastaram-se da área continental.

Além do exposto acima, ressalta-se também que os ventos do quadrante sul responsáveis por empilhar águas marítimas nas costas brasileiras também não foram tão severos, com exceção do litoral gaúcho. A verdade é que o ocorrido tinha características para causar estragos de proporções ainda maiores.

O que fica claro nesses dois eventos “seguidos” de alagamentos ocasionados pela alta do nível do mar é que existe a necessidade de se planejar e investir com cuidado. Todas as projeções científicas convergem para uma elevação contínua e acentuada das águas do mar para os próximos anos acompanhadas de eventos meteorológicos mais intensos, frequentes e perigosos.

Os investimentos na área costeira, seja por pessoa física, entidades privadas ou poder público, devem ser feitos de forma cautelosa e com ajuda de ferramentas e profissionais competentes e capazes para avaliar grau e risco.

Por Felipe Odreski
Diretor na Acqualis Engenharia Hídrica

Para

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Tags: Modelo de Previsão, Alagamentos, Zona Costeira, Planejamento, Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Água, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Modelagem Ambiental, Modelagem Oceânica, Hidrologia, Recursos Hídricos.

NOAA lança o primeiro modelo de previsão de águas nacionais dos Estados Unidos.

Por NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration 
Publicado em 16 de agosto de 2016

O Centro Nacional de Administração do Oceano e da Atmosfera dos Estados Unidos e seus parceiros desenvolveram uma nova ferramenta de previsão para simular como a água se move ao longo de rios e córregos do país, abrindo o caminho para o maior avanço na previsão de inundações que o país já viu.

Modelo Previsao Chuva

Lançado hoje o Modelo Nacional de Águas nos EUA que roda em um novo e poderoso supercomputador Cray XC40 da NOAA,  utilizando dados de mais de 8.000 medidores da USGS para simular as condições para 2,7 milhões de locais no Estados Unidos. O modelo gera previsões de hora em hora para toda a rede fluvial. Anteriormente, o NOAA só foi capaz de prever a vazão de 4.000 localidades a cada poucas horas.

O modelo também melhora a capacidade do NOAA para atender às necessidades de suas partes interessadas – como os gestores de emergência, operadores de reservatórios, socorristas, recreacionistas, agricultores, operadores de barcaças e gerentes de ecossistema e de inundações – ​​com informações mais precisas e detalhadas.

A nação americada tem experimentado uma série de inundações desastrosas nos últimos anos, incluindo a inundação em curso desta semana em Louisiana, acentuando a importância de previsões de águas mais detalhados para ajudarem as pessoas a se preparar.

“Com o clima em mudança, nós estamos experimentando secas mais prolongadas e freqüência de inundações recordes em todo o país, ressaltando a necessidade do país para informações detalhadas sobre as águaa”, disse Louis Uccellini, Ph.D., diretor do Serviço do Tempo Nacional. “O Modelo Nacional de Águas vai melhorar a resiliência aos extremos de água em comunidades americanas. Como nossas previsões ficam melhores, também melhora nosso planejamento e proteção de vidas e bens quando se tem muita água, pouco, ou de má qualidade da água “.

O anúncio de hoje cumpre um compromisso que o presidente Obama fez para o público americano no Dia Mundial da Água, em março. Em um comunicado da Casa Branca,  ele chamou de “transversal, soluções criativas para resolver os problemas de água de hoje, bem como estratégias inovadoras que irão catalisar a mudança na forma como usamos, conservamos, protegemos e pensamos sobre a água nos próximos anos. ”

Inicialmente, o modelo vai beneficiar previsões para inundações rápidas em áreas de nascentes e fornecer informações de previsão de água para muitas áreas que atualmente não estão cobertos. Como o modelo evoluiu, ele irá fornecer com maior detalhamento as previsões de nível nas ruas e mapas de inundação para melhorar avisos de enchentes, e se expandirá para incluir previsões de qualidade da água.

“Através da nossa parceria com a pesquisa, acadêmica e da comunidade de águas federais, o NOAA está trazendo a “arte da ciência” na previsão e no suporte operacional”, disse Thomas Graziano, Ph.D., diretor do novo Escritório do NOAA para previsão das águas no Serviço Nacional de Meteorologia. “Ao longo dos últimos 50 anos, as nossas capacidades têm sido limitadas a previsão de fluxo de rio em um número relativamente pequeno de locais. Este modelo expande os nossos locais de previsão em 700 vezes e disponibiliza variáveis ​​de água adicionais, tais como umidade do solo, escoamento superficial, velocidade da corrente, e outros parâmetros para produzir uma imagem mais completa do comportamento de água em todo o país “.

A tecnologia subjacente para o modelo foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR). O NOAA desenvolveu e implementou o modelo junto com o NCAR, o Consórcio das Universidades para o Avanço das Ciências Hidrológicas, a Fundação de Ciência Nacional, parceiros da Ciência Integrada em Recursos Hídrico e parceiros de Serviços Consórciados federais. Continuando a alavancar parcerias com a comunidade de pesquisa, o NOAA irá preparar novas colaborações e ainda maior inovação no futuro.

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Nova tecnologia de limpeza ambiental livra a água do óleo

Por Emil Venere para Phys.org
Publicado em 05 de abril de 2016
Time de remoção de Óleo
Pesquisadores da Universidade de Purdue desenvolveram uma tecnologia para a remoção de óleos e outros poluentes da água, modificando esponjas melamina disponíveis comercialmente, o que representa uma potencial ferramenta para limpeza ambiental. Crédito: Mark Simons

Uma nova tecnologia que é fácil de fabricar e usa materiais disponíveis comercialmente faz com que seja possível remover continuamente óleos e outros poluentes da água, o que representa uma potencial ferramenta para a limpeza ambiental.

O material é hidrofóbico e superoleofílico, o que significa que rejeita água ao absorver óleos. É feito usando esponjas de melamina, um material poroso encontrados em vários produtos, incluindo esponjas de limpeza doméstica e materiais isolanteso. Os investigadores modificaram a esponja de melamina por imersão numa solução contendo uma pequena quantidade de borracha de silicone chamada PDMS e o solvente hexano, resultando em um revestimento extremamente fina que repele a água, enquanto permite que o óleo seja absorvido pela esponja.

“A razão pela qual nós estamos animados sobre isso é que ele é fabricado usando um processo de muito barato para revestir as esponjas de melamina, e o material pode ser reutilizado muitas vezes,” disse Suresh V. Garimella, vice-presidente executivo da Universidade de Purdue para pesquisa e parcerias e o Professor Goodson de Engenharia mecânica. “Acreditamos que este material pode ser facilmente adotado para a limpeza de derramamentos de óleo e vazamentos químicos industriais.”

Os resultados são detalhados em um artigo que apareceu on-line em março na American Chemical Society’s jounal & Engineering Chemistry Research. O documento foi escrito pelo pesquisadores Xuemei Chen, Justin A. Weibel e Garimella.

limpeza de óleo da água
A água é contaminada com óleo de silicone (tingido de vermelho) e o material de esponja recém-desenvolvido é arrastado pela superfície para absorver a camada de óleo; a esponja saturada de óleo flutua no prato e pode ser facilmente apanhada. Crédito: Justin Weibel

Chen fez a descoberta enquanto trabalhava no Centro de Nanotecnologia Birck no Discovery Park Purdue. Os investigadores demonstraram que o novo material pode remover óleos e poluentes químicos orgânicos que são imiscíveis com a água, tais como hidrocarbonetos, fluidos de arrefecimento e fluido de isolamento a partir de transformadores elétricos, compostos cancerígenos chamados PCBs e certos pesticidas.

“O alvo é qualquer poluente que é imiscível com água e que tem uma tensão superficial baixa”, disse Weibel.

Por outro lado, a água tem uma tensão superficial elevada, fazendo com que seja repelida pela esponja.

“Você precisa deste contraste da tensão superficial para o material de esponja remover o contaminante”, disse Garimella.

Outras tecnologias em desenvolvimento que incorporam propriedades hidrofóbicas e superoleofólicas são caros ou exigem o uso de materiais exóticos, como nanotubos de carbono e grafeno.

“Derramamento de petróleo a partir de fontes industriais causam graves danos ao meio ambiente”, disse Chen. “Os métodos convencionais utilizados para limpar óleos e poluentes orgânicos são lentos e dispendem grandes esforços. O desenvolvimento de materiais absorventes com elevada seletividade para os óleos é de grande importância ecológica para a remoção de poluentes a partir de fontes de água contaminada.”

Os resultados mostram que o material de esponja tem uma capacidade de absorção de 45 até 75 vezes o seu próprio peso, o que é comparável com outros materiais mais exóticos em desenvolvimento.

“Há duas maneiras de usar esta esponja”, disse Garimella. “Você pode simplesmente arrastá-la sobre a superfície da água para absorver o contaminante ou aplicar sucção para que ele continuamente extrai o óleo e deixa a água para trás.”

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http://phys.org/news/2016-04-environmental-cleanup-technology-oil.html
Tags: Águas Superficiais, Correntes Marítimas, Oceano, Poluição Hídrica, Desastres Ambientais, Modelagem Numérica, Remoção de Óleo

A dessalinização Como uma das solução para falta de água na Califórnia

Por Steve Scauzillo para SGV Tribune
Publicado em 21 fevereiro de 2016
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A usina de dessalinização Carlsbad vista em uma sexta-feira, 4 de setembro 4 de 2015, faz fronteira com a Rodovia Intersestadual 5 em um lado e o Oceano Pacífico do outro em Carlsbad, Califórnia. A maior fábrica de dessalinização da água do mar das Américas irá produzir 50 milhões de litros de água potável para a área de San Diego a cada dia. A usina, que deve operar a partir deste ano, vai ajudar a determinar o futuro da dessalinização da água do mar nos Estados Unidos. (Foto / Lenny Ignelzi)

Quando se trata de encontrar novas fontes de água potável para os residentes de um Estado costeiro atolado na seca, a dessalinização surge como forte alternativa.

“Dessalinização deve ser uma prioridade”, disse a deputada Ling Ling Chang que introduziu um projeto de lei na semana passada que iria escrever metas pela primeira vez no código estatal de água para uma percentagem de água potável proveniente do mar.

Chang, que já atuou no conselho de Walnut Vale Water, disse que foi inspirada por Singapura e Austrália, que lutam contra secas extremas, em parte, através da construção de usinas de dessalinização. Seguindo o projeto de US $ 1 bilhão da usina de dessalinização Carlsbad em San Diego, a comunidade de Huntington Beach está em fase final de construção de uma usina que irá produzir 50 milhões de galões por dia, podendo ser inaugurada em 2019, de acordo com o site Poseidon Water, desenvolvedor de ambos os projetos de dessalinização.

Durante os 15 anos que levou para planejar a planta de Huntington Beach, a Austrália colocou seis usinas de dessalinização em operação, disse Chang. A Republicana acredita que o Estado não coloca ênfase suficiente na dessalinização como uma solução parcial para diminuição dos suprimentos de água causada por quase cinco anos de seca e mudando os padrões climáticos.

“Dessalinização em si é a prova contra falta d’água,” disse ela. “Você tem uma fonte de água existente.”

Um Projeto de Lei, em 1925,  instaurou o Departamento de Estado dos Recursos Hídricos “para encontrar métodos econômicos e eficientes de dessalinização da água para que a água dessalinizada pudesse ser disponibilizada para ajudar a atender as necessidades hídricas crescentes do Estado”, relata o projeto de lei.

Apesar de Chang não divulgar valores, ela pretende estabelecer metas para agências de água urbana do estado em 2025 e 2030 e espera ganhar força antes da votação final, em agosto. A conta é modelada após uma lei de 1997 que colocou metas no código estatal de água para água reciclada – água potável tirada de estações de tratamento de esgoto que, após tratamento avançado, seria utilizada para irrigação ou injetada em aquíferos subterrâneos para armazenamento.

Chang pode obter o apoio de seus colegas em todo o corredor. Em dezembro, o presidente do Senado Tem Kevin de León, de Los Angeles, e o Presidente da Assembléia Toni Atkins, de Diego, disseram apoiar o projeto de dessalinização de Huntington Beach.

Sem metas para dessalinização

“Atualmente não há metas estaduais ou metas para a dessalinização em lei estadual ou documentos de política”, disse Richard Mills, gerente do Departamento de Estado dos Recursos Hídricos para a reciclagem de água e dessalinização.

No entanto, as metas para a água reciclada fazem parte do Código de Águas da Califórnia, explicou.

Em 1991, a meta estadual foi de reciclar 863.400.000 metros cúbicos de água por ano até 2000 e 1.233.000.000 milhões de metros cúbicos por ano até 2010.

Mas ter uma meta não significa que ela seja cumprida. Mills disse que o departamento analisa metas para a água reciclada como “um fim para que o esforço seja dirigido com a implicação de que a realização pode exigir esforço ou luta extraordinária”, disse ele.

Na verdade, as metas de 2000 e 2010 foram perdidas, disse Mills. Uma pesquisa de águas residuais municipais revelou 825.200 de metros cúbicos em 2009.

Em 2010, o departamento re-estabeleceu as metas para a água reciclada, sendo de 1.233.000.000 milhões de metros cúbicos por ano até 2020 e 1.604.000.000 m³ em 2030. Além disso, o Conselho de Controle dos Recursos de Água do Estado, a agência que lidera o esforço de conservação de água obrigatória no estado, aprovou uma resolução com objetivos semelhantes para água reciclada.

O Estado reservou US $ 750 milhões da Proposição 1 adotada pelos eleitores em 2014. Desse total, a água reciclada vai receber US$ 625 milhões e a dessalinização US$ 100 milhões, disse Mills.

Chang disse que seu projeto não vai exigir mais dos fundos de obrigações do Estado para a construção de novas usinas de dessalinização. Isto é mais uma forte recomendação.

“Espero que seja um catalisador para a boa política”, disse ela.

Política questionada

A dessalinização é viável, mas alguns argumentam que não é uma boa política.

Long Beach testou uma pequena usina de 2005 até 2009 no Departamento de Água de Los Angeles de Água em East Long Beach. Autoridades da cidade disseram que era muito caro para operar. Eles estimaram que uma usina custaria US$ 10 milhões para construir e a água cerca de US$ 1.500 á US$ 2.500 para cada 1.233 m³ (1 acré-pé). A água importada do Distrito Metropolitano de Água do Sul da Califórnia custa cerca de US$ 1.000 por acre-pé (1.233 m³) em 2016.

Da mesma forma, a cidade de Los Angeles não fez da dessalinização uma prioridade.

Conner Everts, que estudou a dessalinização por 15 anos como co-presidente do Grupo de Resposta de Dessalinização e diretor executivo da Watershed Alliance Sul da Califórnia, disse que a conservação, seguido do tratamento da água (reciclagem) e de captação de águas pluviais são preferidos por cidades e agências de água no Estado.

“Quando você priorizar o abastecimento de água e a demanda, a dessalinização cai para o fundo”, disse Everts. “É o mais caro, o que mais necessita de energia, geram pouca quantidade de água e tem impactos ambientais.”

Válvulas de entrada que trazem a água do oceano sugam ovos de peixes e matam outros organismos minúsculos, de acordo com o site do Grupo de Resposta de Desalinização. O grupo adverte que o sal que retorna para o oceano cria zonas mortas que prejudicam a vida aquática.

A companhia Poseidon nega que suas fábricas prejudicam o ambiente aquático em suas usinas.

Everts disse que usinas de dessalinização caíram na ociosidade em Santa Barbara durante anos, bem como em cidades da Austrália depois que os esforços de conservação reduziram sua demanda.

Benefícios Recém-descobertos

No entanto, as usinas de dessalinização poderiam beneficiar cidades que lutam para atender às difíceis exigências de conservação de água da Califórnia.

A usina de Carlsbad, que fornece 10% das necessidades de água de San Diego. O Conselho de Qualidade da Água de San Diego está trabalhando com a agência estadual para certificar o abastecimento de água da usina como um benefício contra a seca.

 

Para maiores informações, acesse:

http://www.sgvtribune.com/environment-and-nature/20160221/is-desalination-part-of-the-future-of-water-in-california/
Tags: Água, Dessalinização, Gestão de Recursos Hídricos, Seca, Tratamento de Água, Escassez Hídrica, Gestão de Bacias Hidrográficas, Crise Hídrica, Demanda por Água

Microsoft mira o fundo oceânico para testar um Data Center submarino.

Por John Markoff para The New York Times
Publicado em 31 janeiro de 2016
REDMOND, Wash – Seguindo uma página de Jules Verne, pesquisadores da Microsoft acreditam que o futuro dos centros de dados podem estar sob o mar.
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Ben Cutler, esquerda e Norman Whitaker, ambos da Microsoft Research, com o “Leona Philpot,” um protótipo subaquática centro de dados, na sede da empresa em Redmond, Wash. Credito: Matt Lutton para o The New York Times.
A Microsoft vem testando um protótipo de um centro de dados independente que pode operar centenas de pés abaixo da superfície do oceano, eliminando um dos problemas mais caros da indústria da tecnologia: o projeto de lei de ar-condicionado.
Os Data Centers, dos quais suportam tudo, desde streaming de vídeos para redes sociais e e-mail, contêm milhares de computadores atuando como servidores que geram muito calor. Quando há muito calor, os servidores caem.
Colocar o equipamento sob a água fria do oceano poderia resolver o problema. Ele também pode responder à demanda crescente exponencial de energia da computação mundial porque a Microsoft está considerando alimentar com uma turbina ou um sistema de energia das marés que gera eletricidade.
O ação, codinome Projeto Natick, pode levar ao uso de filamentos de tubos de aço gigantes ligadas por cabos de fibra óptica colocados no fundo do mar. Outra possibilidade seria suspender recipientes em forma de “jelly beans” abaixo da superfície para capturar a corrente do oceano com turbinas que geram eletricidade.
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O protótipo “Leona Philpot” foi implantado na costa central da Califórnia, em 10 de agosto de 2015. Crédito: Microsoft
  “Quando eu ouvi pela primeira vez sobre isso, pensei, ‘Água… eletricidade, por que fazer isso?'”, disse Ben Cutler, um designer de computadores da Microsoft que é um dos engenheiros que trabalharam no sistema do Projeto Natick. “Mas como você pensa mais sobre isso, ele realmente faz muito sentido.”
Tal idéia radical poderia parar em obstáculos, incluindo as preocupações ambientais e questões técnicas imprevistas. Mas os pesquisadores da Microsoft acreditam que produzindo as cápsulas em massa, eles poderiam reduzir o tempo de implantação de novos centros de dados a partir dos dois anos que agora leva em terra para apenas 90 dias, oferecendo uma enorme vantagem de custo.
Os contêineres de servidores subaquáticas também poderiam ajudar a tornar os serviços web trabalhar mais rápido. Grande parte da população do mundo vive agora em centros urbanos perto de oceanos, mas longe dos centros de dados geralmente construídas em lugares “fora de mão”, com muito espaço. A capacidade de colocar o poder de computação perto de usuários reduz o atraso, ou latência, o que é um grande problema para os usuários da web.
“Durante anos, os principais provedores de nuvem têm procurado sites em todo o mundo, não só para a energia verde, mas que também aproveitam o ambiente”, disse Larry Smarr, físico e especialista em computação científica que é diretor do Instituto de Telecomunicação e Tecnologia da informação da Universidade da Califórnia, San Diego.
Impulsionado por tecnologias tão variadas como entretenimento digital e a rápida chegada da chamada Internet das coisas, a demanda por computação centralizada tem crescido exponencialmente. A Microsoft administra mais de 100 centros de dados ao redor do mundo e vem adicionando mais a um ritmo veloz. A empresa gastou mais de US$ 15 bilhões, em um sistema de centro de dados global que agora oferece mais de 200 serviços on-line.
Em 2014, os engenheiros de um ramo da Microsoft Research conhecido como New Experiences and Technologies (novas experiências e tecnologias), NExT, começou a pensar em uma nova abordagem para acelerar drasticamente o processo de adição de nova energia para os chamados sistemas de computação em nuvem.
“Quando você retira o seu smartphone, você pensa que está usando este pequeno computador milagroso, mas na verdade você está usando mais de 100 computadores em uma coisa chamada nuvem”, disse Peter Lee, vice-presidente corporativo para a Microsoft Research e organizador da NExt. “E então você multiplica isso por bilhões de pessoas, e isso é apenas uma enorme quantidade de trabalho de computação.”
A empresa concluiu recentemente um estudo de 105 dias de uma cápsula de aço – oito pés de diâmetro – que foi colocada à 30 pés subaquático no Oceano Pacífico, ao largo da costa central de Califórnia perto de San Luis Obispo. Controlado a partir de escritórios do campus da Microsoft, o teste foi mais eficiente que o esperado.

Para matéria completa, acesse:

http://www.nytimes.com/2016/02/01/technology/microsoft-plumbs-oceans-depths-to-test-underwater-data-center.html?_r=1
Tags: Tecnologia, Oceanos, Modelagem Computacional

“Cidadãos cientistas” usam drones para mapear alagamentos frutos do El Nino

Por Gillian Flaccus para Phys.org
Publicado em 24 janeiro de 2016

 

Drone El Nino Alagamentos

Foto de 07 de janeiro de 2016 fornecida pela The Nature Conservancy mostra o rio San Lorenzo transbordando em torno da praia de Santa Cruz Boardwalk, um parque de diversões à beira-mar em Santa Cruz, Califórnia. The Nature Conservancy e um grupo de ambientalistas da Califórnia estão utilizando drones para mapear inundações e danos costeiros após tempestades de El Nino com a idéia de que as imagens vão ajudar a prever como a costa se modificaria no futuro com a subida do nível do mar fruto do aquecimento global. (Matt Merrifield via AP)

Esqueça as selfies. Na Califórnia, os moradores estão usando smartphones e drones para documentar as mudanças ocorridas ao longo da zona costeira.

A partir deste mês, The Nature Conservancy está pedindo que viciados em tecnologia capturem imagens e vídeos das inundações e erosão costeira que vem ocorrendo ao longo deste perído de El Nino. Um padrão climático que está trazendo para Califórnia seu mais chuvoso inverno em anos – e tudo em nome da ciência.

A idéia é que, imagens georeferenciadas de tempestades e inundações costeiras dará aos cientistas uma prévia para o que o futuro nos reserva com o aumento do nível do mar e o aquecimento global, uma espécie de uma bola de cristal para a mudança climática.

Imagens dos últimas drones, que podem produzir mapas de alta resolução 3D, será particularmente útil e ajudará os cientistas a determinar se modelos preditivos sobre inundações costeiras são precisos, disse Matt Merrifield, diretor de tecnologia da organização.

“Usamos esses modelos projetados e eles não parecem corresponder muito bem, mas estamos sem qualquer evidência empírica”, disse ele. “Esta é essencialmente uma forma de validar esses modelos.”

Especialistas em mudanças climáticas concordam que as tempestades do El Nino permitem daum uma “olhadinha” para o futuro e disse que o projeto foi uma nova maneira de sensibilizar a opinião pública. Devido à sua natureza comunitária e conjunta, no entanto, eles alertaram que o experimento pode não atingir todos resultados esperados, embora qualquer informação adicional é útil.

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Foto de 20 de janeiro de 2015 fornecida pela The Nature Conservancy mostra a praia de Twin Lakes, em Santa Cruz, na Califórnia, e a Laguna de Schwann, o corpo de água à direita. (Matt Merrifield / The Nature Conservancy via AP)

“Não é a resposta, mas é uma parte da resposta”, disse Lesley Ewing, engenheiro costeiro sênior com a Comissão Costeira da Califórnia. “É uma peça do quebra-cabeça.”

Na Califórnia, quase meio milhão de pessoas, US$ 100 bilhões em bens e infra-estruturas críticas, como escolas, usinas de energia e rodovias estarão em risco de inundação durante uma grande tempestade se o nível do mar subir mais 4,6 pés – situação que poderia tornar-se uma realidade até 2100, de acordo com um estudo de 2009 do Instituto Pacífico encomendado por três agências estatais.

Praias que os californianos consideram um direito adquirido se tornarão muito menores ou desaparecerão por completo. Efeito semelhante que as tempestades de El Nino trarão, mesmo que apenas temporariamente, disse William Patzert, climatologista para o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

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Foto de 21 de janeiro de 2016, Trent Lukaczyk, um engenheiro que constrói e opera drones para monitorar mudanças no ambiente marinho, configura um DJI Phantom para tirar fotos e vídeos sobre o litoral do Pacifico, Califórnia. (AP Photo/Jeff Chiu)

“Quando você tem uma grande maré de tempestade de inverno, como as que eles querem documentar, você tende a perder um monte de praia”, disse ele. “De certa forma, é como fazer um documentário sobre o futuro. Ele vai mostrar-lhe como suas praias se parecerão daqui 100 anos.”

O que o mapeamento não será capaz de prever exatamente é quais praias desaparecerão e o que irá desmoronar – todas as coisas que afetam o modo como as inundações costeiras impactam a população, disse Ewing, o engenheiro da Comissão Costeira da Califórnia.

“Nós não estamos indo para capturar essa mudança”, disse ela. “Nós estamos indo para capturar onde a água poderia ir com este panorama atual e que ainda é uma coisa muito importante para entender”.

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Trent Lukaczyk pilotando seu drone. (AP Photo / Jeff Chiu)

 

Até agora, os organizadores do projeto não estão dando atribuições de participantes, embora possam enviar solicitações específicas de acordo com o desenrolar do inverno, disse Merrifield.

Se os usuários conseguirem mapear em tempo real eventos inundações em 10 ou 15 por cento ao longo das 840 milhas da costa da Califórnia, o projeto será um sucesso, disse ele. Uma meta realista é uma “seleção curada” de mapas 3D que mostram inundações subindo e descendo a costa em datas e horários diferentes.

The Nature Conservancy estabeleceu uma parceria com uma startup da região de San Francisco chamado DroneDeploy que irá proporcionar um aplicativo gratuito para os proprietários de aviões não tripulados. O aplicativo irá fornecer padrões de vôo automatizados com o toque de uma tela, enquanto a tecnologia baseada em nuvem vai tornar o gerenciamento de dados viável, disse Ian Smith, um desenvolvedor de negócios da empresa.

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Trent Lukaczyk ouviu falar sobre a experiência de uma postagem em um grupo no Facebook dedicado aos entusiastas de drones. Para o engenheiro aeroespacial, que já usou drones para mapear os recifes de coral em Samoa Americana, o trabalho voluntário foi atraente.

“É uma aplicação realmente emocionante. Não é apenas algo como tirar uma selfie”, disse ele, antes de sair para coletar imagens de erosão praiana após uma tempestade no Pacifico, Califórnia.

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