Tsnumami Meteorológico Atinge Santa Catarina

Por Felipe Odreski

Publicado em 30 de Outubro de 2019

Onda de maré gerada por uma tempestade que passou na região sul do Estado foi captada por marégrafos da região e assustou moradores.

Vídeo 1: Vídeo repassado em redes sociais mostra o exato momento da subida brusca de maré na praia da Guarda do Embaú, Santa Catarina.

O dia 29 de outubro de 2019 ficou marcado em algumas praias da região sul de Santa Catarina por conta de uma elevação repentina dos níveis de maré. O vídeo mostrado acima ilustra o momento em que ocorre uma rápida ascensão do mar na praia e assusta as pessoas no local.

O evento é chamado de tsunami meteorológico e foi gerado por uma forte tempestade no período da tarde.

O fenômeno ocorre devido a tempestades que geram fortes gradientes de pressão próximas ao nível do mar e com rápido potencial de deslocamento. Essa transferência de energia atmosfera/oceano rebaixa o nível maregráfico no centro da baixa pressão gerada, “empurrando” para cima os níveis do entorno contando ainda com a velocidade e direção de deslocamento da mesma. Esses são eventos de difícil previsão, pois ocorrem de forma localizada e muito rápida.

Os marégrafos da EPAGRI/CIRAM da região registraram a elevação incomum do nível do mar. Em Florianópolis, o mar subiu aproximadamente 80 centímetros em menos de 15 minutos e em Imbituba e Balneário Rincão os picos foram ainda maiores.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Florianópolis. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Imbituba. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

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Figura 1: Registro do nível maregráfico em Balneário Rincão. A linha em azul ilustra a previsão normal da maré, enquanto a linha vermelha mostra o nível real medido. Observa-se a sobrelevação vista no dia 29/10/2019. Fonte: EPAGRI/CIRAM.

 

Tags: Tsunami Meteorológico, Oceanografia, Meio Ambiente, Marés, Mudanças Climáticas.

Modelos de simulação hidrológica que informam decisões políticas são difíceis de interpretar corretamente.

Por Marianne Stein

Publicado em 15 de setembro de 2019

Embora tecnologias tornaram os modelos com interface gráfica mais acessíveis, podem surgir problemas se eles forem usados por modeladores inexperientes.

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Figura 1: Modelos hidrológicos que simulam sistemas naturais podem ajudar a prever e gerenciar recursos hídricos. Fonte: California Department of Water Resources, Climate Change in California Fact Sheet.

Os modelos hidrológicos que simulam e preveem o fluxo de água são usados para estimar como os sistemas naturais respondem a diferentes cenários, como mudanças no clima, uso da terra e manejo do solo. O resultado desses modelos pode informar decisões políticas e regulatórias sobre práticas de gestão da água e da terra.

Modelos numéricos tornaram-se cada vez mais fáceis de empregar com os avanços da tecnologia e software de computadores com interface gráfica do usuário (GUI). Embora essas tecnologias tornem os modelos mais acessíveis, podem surgir problemas se eles forem usados por modeladores inexperientes, diz Juan Sebastian Acero Triana, estudante de doutorado no Departamento de Engenharia Agrícola e Biológica da Universidade de Illinois.

Acero Triana é o principal autor de um estudo que avalia a precisão de um modelo numérico comumente usado em hidrologia.

Os resultados da pesquisa mostram que, mesmo quando o modelo parece ser adequadamente calibrado, seus resultados podem ser difíceis de interpretar corretamente. O estudo, publicado no Journal of Hydrology, fornece recomendações sobre como ajustar o processo e obter resultados mais precisos.

A precisão do modelo é importante para garantir que as decisões políticas sejam baseadas em cenários realistas, diz Maria Chu, coautora do estudo. Chu é professora assistente de engenharia agrícola e biológica na Faculdade de Ciências Agrárias, do Consumidor e do Ambiente e na Faculdade de Engenharia Grainger da Universidade de Illinois.

“Por exemplo, você pode estimar os impactos do clima futuro na disponibilidade de água nos próximos 100 anos. Se o modelo não estiver representando a realidade, você tirará conclusões erradas. E conclusões erradas levarão a políticas erradas, que podem afetar muito as comunidades que dependem do suprimento de água ”, afirma Chu.

O estudo se concentra no modelo de Avaliação de Solo e Água (SWAT), que simula a circulação da água, incorporando dados sobre o uso da terra, solo, topografia e clima. É um modelo popular usado para avaliar os impactos das práticas de gestão do clima e da terra nos recursos hídricos e na movimentação de contaminantes.

Os pesquisadores conduziram um estudo de caso na bacia hidrográfica experimental do reservatório de Fort Cobb (FCREW), em Oklahoma, para avaliar a precisão do modelo. O FCREW serve como um local de teste para o Serviço de Pesquisa Agropecuária dos EUA (USDA-ARS) e o Serviço Geológico dos EUA (USGS); assim, já estão disponíveis dados detalhados sobre fluxo, reservatório, água subterrânea e topografia.

O estudo associou o modelo SWAT a outro modelo chamado MODFLOW, Modelo Modular de Fluxo por Diferenças Finitas, que inclui informações mais detalhadas sobre os níveis e fluxos das águas subterrâneas.

“Nosso objetivo era determinar se o modelo SWAT por si só pode representar adequadamente o sistema hidrológico”, diz Acero Triana. Descobrimos que não é esse o caso. Realmente não pode representar todo o sistema hidrológico. ”

De fato, o modelo SWAT produziu 12 iterações de movimento da água que pareciam aceitáveis. No entanto, quando combinado com o MODFLOW, ficou claro que apenas alguns desses resultados representavam adequadamente o fluxo das águas subterrâneas. Os pesquisadores compararam os 12 resultados do SWAT com 103 diferentes iterações de águas subterrâneas do MODFLOW, a fim de encontrar uma representação realista dos fluxos de água na bacia hidrográfica.

A obtenção de vários resultados diferentes, que parecem igualmente corretos, é chamada de “equifinalidade”. A calibração cuidadosa do modelo pode reduzir a equifinalidade, explica Acero Triana. A calibração também deve ser capaz de levar em conta as limitações inerentes na maneira como o modelo é projetado e como os parâmetros são definidos. Em termos técnicos, deve levar em consideração a inadequação do modelo e suas limitações.

No entanto, modeladores inexperientes podem não entender completamente os meandros da calibração. E devido às restrições inerentes ao SWAT e ao MODFLOW, o uso de métricas de apenas um modelo pode não fornecer resultados precisos.

Os pesquisadores recomendam o uso de um modelo de combinação chamado SWATmf, que integra os processos SWAT e MODFLOW.

“Este artigo apresenta um estudo de caso que fornece diretrizes gerais sobre como usar modelos hidrológicos”, diz Acero Triana. “Mostramos que para realmente representar um sistema hidrológico, você precisa de dois modelos de domínio. Você precisa representar os processos de superfície e sub-superfície que estão ocorrendo.”

As diferenças nos resultados podem ser pequenas, mas com o tempo o efeito pode ser significativo, ele conclui.

O artigo, “Beyond model metrics: The perils of calibrating hydrologic models” é publicado no Journal of Hydrology.

Os autores incluem Juan S. Acero Triana, Maria L. Chu e Jorge A. Guzman, Departamento de Engenharia Agrícola e Biológica, Faculdade de Ciências Agrárias, Consumidor e Ambiental e Grainger College of Engineering, Universidade de Illinois, e Daniel N. Moriasi e Jean L. Steiner, USDA-ARS Grazinglands Research Laboratory, Oklahoma.

O financiamento para a pesquisa foi fornecido pelo Instituto Nacional de Alimentos e Agricultura do USDA (NIFA).

Para maiores informações, acesse:

https://aces.illinois.edu/news/hydrologic-simulation-models-inform-policy-decisions-are-difficult-interpret-correctly-4

Tags: Gestão de Recursos Hídricos, Hidrologia, Água, Chuvas, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Enchente, Inundação, Enxurrada, Alagamento, Modelagem Hidrológica.

Emissários Submarinos: uma alternativa eficiente para sistemas de esgotamento sanitário costeiros

Por Felipe Odreski e Gioce Berns

Publicado em 23 de agosto de 2019

O tratamento e disposição final de efluentes costeiros aproveitando o volume marinho e as correntes costeiras pode ser uma ótima escolha.

 

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Figura 1: Imagem de emissário submarino. Fonte: Royal HaskoningDHV.

Não é de hoje que a zona costeira tem sido núcleo do assentamento de populações humanas, abrigando diversas atividades, gerando resíduos com destaque para o esgoto doméstico, que é uma das formas de poluição mais comum das regiões costeiras. O esgoto sanitário pode ser definido como “Despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas”. A quantidade de esgoto gerada em uma cidade ou região varia de acordo com as características socioeconômicas da população, da disponibilidade hídrica, do clima e das atividades desenvolvidas.

Os esgotos domésticos geralmente apresentam uma composição típica, com compostos orgânicos, nutrientes e organismos patogênicos e não patogênicos. De modo geral, os principais impactos ambientais possíveis gerados pelo lançamento de esgotos no mar são:

  • contaminação microbiológica;
  • acréscimo de matéria orgânica e nutrientes no meio marinho (podendo levar à eutrofização);
  • aumento da turbidez, afetando a produção primária e os organismos filtradores;
  • contaminação química, gerando efeitos tóxicos sobre a biota.

 

SISTEMA DE DISPOSIÇÃO OCEÂNICA

Uma das soluções encontradas para os esgotos gerados no litoral é a disposição oceânica. Neste sistema, o vasto volume e a grande capacidade de dispersão e autodepuração das águas marinhas são utilizados como disposição final dos esgotos, auxiliando na redução das concentrações poluentes a níveis permitidos pela legislação. Além disso, o sistema permite afastar o efluente tratado dos estuários e praias que acabariam chegando até zonas de banho e contato trazendo consequências diretas para a saúde humana.

A autodepuração pode ser entendida como um processo natural de recuperação de um ambiente aquático que recebe cargas poluentes, através da decomposição dos poluentes orgânicos.

De modo geral, um sistema de disposição oceânica é constituído pelas seguintes unidades (Figura 2): Estação de pré-condicionamento; câmera ou chaminé de equilíbrio; emissário submarino e tubulação difusora, através da qual o efluente é lançado no fundo do mar por vários bocais ou orifícios.

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Figura 2: Esquema de um sistema de disposição oceânica. Fonte: Adaptado de Bleninger

 

Um bom projeto e execução com adequado dimensionamento e localização do emissário submarino em termos de distância e profundidade, são capazes de promover o processo de mistura e reduzir as concentrações dos contaminantes dos efluentes. Esta solução, embora traga muitos benefícios, pode também acarretar em sérios prejuízos ambientais caso não forem bem dimensionados e operados.

Os estudos que embasam um projeto definitivo para dimensionamento de extensão, diâmetro da tubulação, número de emissores devem levar em conta vários fatores. É preciso que as plumas de contaminantes não atinjam a zona de surf para impedir o carreamento do efluente até a praia e manter a promover a balneabilidade do ambiente costeiro. A Figura 3 abaixo ilustra um resultado de um estudo de modelagem hidrodinâmica da Acqualis Engenharia Hídrica em área de emissário.

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Figura 3: Campos de correntes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem hidrodinâmica em um instante de maré englobando região de emissário submarino.

A Figura 4 apresenta estudo da Acqualis Engenharia Hídrica de modelagem de dispersão e autodepuração de coliformes fecais em projeto para emissário submarino

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Figura 4: Pluma de dispersão de coliformes termotolerantes em resultado de estudo da Acqualis Engenharia Hídrica para modelagem de dispersão e decaimento provenientes de emissário submarino em um instante de maré.

APLICAÇÃO DA TECNOLOGIA NO BRASIL E NO MUNDO

Vários países no mundo têm utilizado o Sistema de Disposição Oceânica de Esgotos Sanitários como a principal tecnologia de tratamento de águas residuárias em regiões costeiras. Na Tabela 1 estão alguns dos sistemas de disposição oceânica instalados pelo mundo e suas principais características. 

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Tabela 1: Características de alguns sistemas de disposição oceânica de esgotos sanitários instalados pelo mundo. Fonte: Roberts et al.,2010.

Na Florida (EUA), o tratamento secundário tem sido adotado como opção de tratamento antes de chegar até os emissários submarinos. Ao todo, seis sistemas de disposição oceânica foram instalados no sul da Florida, conforme pode ser visto na Figura 5.

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Figura 5: Localização dos emissários submarinos do sul da Florida. Fonte: Heaney et al.,2006.

 

No Brasil, a disposição oceânica de efluentes urbanos por meio de emissários submarinos tem sido escolhida como uma alternativa satisfatória por alguns autores, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista da melhoria da balneabilidade das praias, tendo sido adotada em diversas cidades litorâneas brasileiras.

Entre as cidades que adotaram o sistema de disposição oceânica no Brasil estão Santos, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Aracaju. Na Tabela 2 estão as principais características de alguns dos emissários localizados no Brasil.

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Tabela 2: Características de alguns emissários submarinos em funcionamento no Brasil. Fonte: Roberts et al.,2010.

O estado de São Paulo concentra a maior quantidade de emissários, com um total de oito sistemas, cinco na Baixada Santista e três no Litoral Norte (Figuras 6 e 7).

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Figura 6: Localização dos Emissários Submarinos da Baixada Santista (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

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Figura 7: Localização dos Emissários Submarinos do Litoral Norte (SP). Fonte: CETESB, 2019.

 

Atualmente, existe um Edital de licitação aberto pela SABESP que tem o objetivo de revisar e atualizar o plano diretor de visando promover a eficiência do sistema de esgotamento sanitário. Caso esses estudos venham a se concretizar, é possível que sejam apontadas modificações do quadro atual com possíveis alterações em termos de dimensionamento, número e localização dos emissários submarinos.

 

NÍVEL DE TRATAMENTO PARA EMISSÁRIOS

O tratamento dos esgotos é usualmente classificado em níveis de eficiência: preliminar, primário, secundário e terciário. O tratamento preliminar é responsável pela remoção de sólidos grosseiros, enquanto o tratamento primário visa à remoção de sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica. Em ambos, predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. O tratamento terciário objetiva a remoção de poluentes específicos (usualmente tóxicos ou não biodegradáveis) ou ainda, a remoção complementar de poluentes não suficientemente removidos no tratamento secundário.

Muito se tem debatido sobre qual o nível de tratamento mais adequado para o lançamento de esgotos por disposição oceânica. Em alguns países como nos EUA tornou-se obrigatório que o esgoto lançado por um emissário seja tratado a nível secundário.

No Brasil, antes da aprovação da Resolução Conama 430/2011, a concepção adotada para a maioria dos sistemas de disposição oceânica tinha o tratamento preliminar como etapa anterior ao lançamento. Embora essa concepção seja bastante atrativa do ponto de vista econômico, com o passar dos anos, a região pode apresentar uma degradação ambiental do ecossistema marinho.

Com a aprovação da Resolução Conama 430/11, ficou estabelecido que o lançamento de esgotos por disposição oceânica deve ser precedido por tratamento que garanta as seguintes características de lançamento:

  • pH entre 5 e 9;
  • temperatura: inferior a 40ºC;
  • a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3ºC no limite da zona de mistura;
  • após desarenação;
  • sólidos grosseiros e materiais flutuantes: virtualmente ausentes; e
  • sólidos em suspensão totais: eficiência mínima de remoção de 20%, após desarenação.

 

Comparando estações de tratamento secundárias e emissários submarinos, estes últimos mostram-se mais eficientes. Diluições de 1:100, comumente encontradas sobre os difusores de emissários, equivalem a um teórico tratamento com 99% de depuração, o que não é atingido pelos meios convencionais, mesmo com grandes investimentos.

A comparação teórica entre os diferentes níveis de tratamento é descrita na Tabela 3.

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Tabela 3: Típica redução de concentração de constituintes dos esgotos dependendo do nível de tratamento aplicado. Fonte: Cetesb.

Segundo Carvalho (2002), os impactos ambientais causados por descargas de emissários submarinos são usualmente pequenos e restritos a uma pequena área no entorno do emissário. Ademais, o impacto em águas superficiais pode ser reduzido a zero devido a uma possível retenção da pluma em camadas inferiores decorrente da estratificação de densidade do oceano.

Fica claro que, independente do nível de tratamento, a presença de um emissário submarino corretamente projetado e executado pode reduzir significativamente os riscos a saúde pública e os danos ao meio ambiente.

Assim, os sistemas de esgotamento sanitário em zonas costeiras podem e devem considerar em seus planos de saneamento ambiental a possibilidade técnica/econômica de emissários submarinos, lembrando que cada local tem suas próprias particularidades.

Um projeto de emissários precisa constar não somente com uma boa quantidade de dados ambientais e oceanográficos, mas também com um projeto eficiente que não permita que a pluma de dispersão atinja a zona de surfe.

 

BIBLIOGRAFIA
ABESSA, D. M. S.; RACHID, B. R. F.; MOSER, G. A. O.; OLIVEIRA, A. J. F. C Revisão: 2012. Efeitos ambientais da disposição oceânica de esgotos por meio de emissários submarinos. O Mundo da Saúde, 36:643-661
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9648 – Estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário – Procedimento, Rio de Janeiro: ABNT, 1986.
BLENINGER, T. O Sistema do Emissário Submarino: Tratamento, disposição e autodepuração.
BLENINGER, T.; JIRKA; ROBERTS, P. Mixing Zone Regulations for Marine Outfall Systems. In: International Symposium on Outfalls Systems, Mar del Plata. Proceedings of the International Symposium on Outfalls Systems, v.1.p.1-5, 2011.
BRASIL, 2005. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 357. Brasília, 17 de março de 2005. 23p.
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CARVALHO, J., ROBERTS, P. J. W. & ROLDÃO, J. Field observations of ipanema beach outfall. Journal of Hidraulic Engineering, 151-160. 2002.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Emissários Submarinos – Praias. 2019.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Opções para tratamento de esgotos de pequenas comunidades. São Paulo: CETESB, 1988. 36 p.
CETESB. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de monitoramento de emissários submarinos, 2007.
ECHAVARRI-ERASUN, B.; JUANES, J.A.; PUENTE, P.; REVILLA, J.A. Coastal outfalls, a sustainable alternative  for improving water quality in north-east Atlantic estuaries. J. Environ. Monit., 12, 1737-1746. 2010.
GREGORIO, H. P. Modelagem Numérica da Dispersão da Pluma do Emissário Submarino de Santos. São Paulo. 2009.
HEANEY, J.P.; KOOPMAN, B; CAKIR, F.Y; REMBOLD, M.; INDEGLIA, P.; KINI, G. Ocean Outfall Study. University of Florida. 241 pp, 2006.
LAMPARELLI, C.C. Desafios para o licenciamento e monitoramento ambiental de emissários: a experiência de São Paulo. In: Emissários Submarinos: Projeto, Avaliação de Impacto Ambiental e monitoramento. São Paulo. SMA, 2006.
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ROBERTS, P.J.W.; SALAS, J.H; REIFF, F.M.; LIBHABER, M.; LABBE, A.; THOMSON, J.C. Marine wastewater outfalls and treatment systems. IWA Publishing, London, OK, 2010.
VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Editora UFMG, Minas Gerais, 2005.

 

Cientistas holandeses avaliam inundações costeiras futuras

Por Deltares 
Publicado em 25 de abril de 2017

A combinação do subsidência da terra e da ascensão do nível de mar aumentará as zonas inundáveis costeiras do mundo e aumentará o número de povos expostos Para o risco de inundações por 20 milhões em 2080.

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Fonte: Deltares.

Pesquisadores da Deltares e do Instituto de Estudos Ambientais (IVM-VU) tem estudado os riscos de inundações em todas as costas do mundo até o final deste século. Os resultados foram apresentados em 25 de abril no EGU em Viena. A conclusão é que a ameaça associada a tempestades severas em todo o mundo está aumentando devido à subsidência da terra e ao aumento do nível do mar: 50% mais pessoas estarão expostas a esses riscos em 2080 do que atualmente.

Subsidência da terra e elevação incluídas

A inundação fluvial vem sendo avaliada em todo mundo como Instituto de Recursos Mundiais usando a ferramenta ‘Aqueduct’. Dirk Eilander (Deltares) e Philip Ward (IVM-VU) juntaram-se com outros pesquisadores para estender o uso desta ferramenta para incluir inundações costeiras e integrar dados sobre mudanças nos níveis de água do mar, bem como, a combinação de eventos com marés de sizígia. Pela primeira vez, os pesquisadores utilizaram modelos físicos com cobertura global para simular marés e tempestades no mar. Além disso, um novo método tem sido usado para traçar as inundações costeiras em todo o mundo com mais precisão. Os dados geográficos e os dados de elevação das zonas costeiras foram introduzidos com precisão nos modelos utilizados, tendo em conta declives íngremes ou suaves e vegetação local. Os edifícios e densidades populacionais nas costas foram utilizados para traçar os impactos das cheias. Dados desse tipo nunca foram examinados antes através de modelos físicos na escala global.

Comparação com inundações observadas

O modelo foi comparado com as inundações observadas após a tempestade Xynthia, na França, em fevereiro de 2010 e a comparação produziu uma boa correspondência. Ao realizar análises semelhantes em outros locais, esperamos ser capazes de mapear inundações costeiras em todo o mundo de uma forma mais realista. Os níveis de água do mar no futuro basearam-se em dois cenários diferentes para as emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que concentrações mais elevadas ou mais baixas de dióxido de carbono, vapor de água e metano afetam o clima de várias maneiras, resultando em padrões climáticos mais ou menos extremos.

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Fonte: Deltares.
50% mais vítimas

Dez por cento da população mundial vive em áreas baixas a menos de dez metros acima do nível do mar. Muitas dessas áreas estão em risco de inundações. A expectativa é de que, em conseqüência do aumento do nível do mar e do afundamento da terra, 50% mais pessoas possam ser afetadas em 2080 por inundações graves que normalmente ocorrem a cada 100 anos. O crescimento populacional e a migração não foram incluídos nesta estimativa. A maioria das vítimas em potencial (metade do número total em todo o mundo) está localizada em quatro países: China, Bangladesh, Índia e Indonésia.

Dirk Eilander: “Essas novas figuras sobre inundações costeiras fornecem uma boa imagem de onde os riscos são mais altos em todo o mundo. Embora alguns grandes países se destaquem em números absolutos, ilhas menores serão geralmente serão mais afetadas em termos relativos.

Próxima etapa: impacto socioeconômico

A extensão da plataforma Aqueduct ainda não foi completamente concluída. A plataforma será disponibilizada ao público em geral este ano. As próximas etapas incluirão a incorporação de aumentos projetados da densidade populacional e da atividade econômica, os efeitos (em termos de danos e baixas) dos vários prognósticos e a inclusão de diferentes níveis de proteção para cada país. Isto completará a imagem: os potenciais riscos de inundação estarão ligados às consequências para a segurança das populações locais e danos aos seus bens. Como resultado, a ferramenta será adequada para uso como um instrumento de política para os decisores que trabalham na gestão de risco de inundação (como autoridades governamentais).

http://media.egu.eu/press-conferences-2017/#coastlines+water

Para maiores informações, acesse:

https://www.deltares.nl/en/news/nederlandse-wetenschappers-brengen-toekomstige-kustoverstromingen-in-kaart-in-2080-50-meer-mensen-bedreigd/

Tags: Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Inundação Costeira, Tempestades

Nova York se prepara contra elevação do nível do mar

Por Jamie Condliffe para MIT Technology Review 
Publicado em 30 de Janeiro de 2017

As áreas litorâneas do nordeste dos Estados Unidos podem experimentar enormes aumentos no nível do mar até 2100, e sua maior cidade já está se preparando.

 

Aumento do Nível do Mar

 Como o aumento do nível do mar continua a representar uma ameaça para as regiões costeiras dos Estados Unidos, as regiões mais baixas e densamente povoadas como a cidade de Nova York estão repensando sua abordagem para o ambiente construído. Fonte: MIT Technology Review

Na semana passada, um relatório da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana) alertou que as regiões costeiras dos EUA estão se preparando para enfrentar um futuro de aumento constante do nível do mar. No pior dos casos, partes da América poderiam experimentar aumentos no nível do mar de até 2,5 metros até 2100. E, como disse o oceanógrafo da NOAA William Sweet à CBS News, “não está subindo como água numa banheira … na região nordeste espera-se que os níveis subam mais rápido. “

Nova York, em particular, enfrenta um enigma sério: a área possui altitudes baixas e imóveis incrivelmente caros. Desde 2012, quando foi devastada pela super-tormenta Sandy, a cidade tem planos ambiciosos para defender-se de “ataques” do mar – entre eles, uma grande cadeia de ilhas artificiais e uma gigantesca muralha desenhada pela empresa de arquitetura dinamarquesa Bjarke Ingels Group .

Mas a ameaça das marés crescentes está moldando a mudança em um nível mais básico, também. O New York Times relata que o risco de inundações futuras está mudando a maneira que os edifícios são projetados na cidade. Longe, por exemplo, são as coberturas do andar superior, substituídas em vez disso por geradores de emergência que não serão inundados – e podem fornecer energia suficiente para que os moradores permaneçam em seu apartamento por um período de uma semana. Em outros lugares, sistemas de drenagem especiais canalizam a água para dentro das fundações e os pisos térreos estão sendo construídos com materiais que podem tolerar inundações.

Enquanto isso, Curbed relata que iniciativas também estão em andamento fora de Manhattan. Em Broad Channel Island, no bairro de Queens, os níveis de rua estão sendo levantados para que as calçadas e estradas sejam mais altas do que anteriormente em relação às águas próximas da Baía da Jamaica. E em outro distrito de Queens, Breezy Point, novas casas estão sendo construídas em plataformas levantadas para salvá-los de inundações.

Se tudo isso falhar, poderíamos abraçar os mares. O governo da Polinésia Francesa acabou de concordar em considerar a possibilidade de hospedar uma cidade de ilhas flutuantes, que estão há tempos sendo desenvolvidas pelo Instituto Seasteading. A idéia: pequenas estruturas flutuantes empregam energia renovável e aquicultura sustentável para permitir que os habitantes se defendam em harmonia com o oceano.

Mas para assentamentos como Nova York, atualmente esta não é uma opção. Em vez disso, é hora de projetar para o pior e esperar o melhor.

(Leia mais: CBS News, New York Times, Curbed, “A cidade de Nova York está pesando planos ambiciosos para as defesas de inundação”, “A vida abaixo do nível do mar na nova era da engenharia climática.”

Para maiores informações, acesse:

https://www.technologyreview.com/s/603527/new-york-city-is-building-for-a-future-of-flooding/
Tags: Água Marítimas, Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Engenharia, Modelagem Ambiental, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica

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Costa do Brasil novamente embaixo da água evidencia necessidade urgente de planejamento

Por Felipe Odreski para Acqualis Engenharia Hídrica 
Publicado em 20 de setembro de 2016

A elevação do nível do mar é tão nítida que acende um alerta imediato para planejamento da zona costeira brasileira por poderes públicos, comerciantes e cidadãos civis.

Parece que está virando rotina, mas a verdade é que eventos marítimos estão causando níveis de águas oceânicas recordes na região costeira do país. Além disso, eles possuem a tendência de serem cada vez mais intensos e frequentes. Apesar da erosão costeira e eventos críticos sempre fazerem parte da história, fica evidente que as consequências e preocupações atuais são fortemente crescentes e que a tendência é de um agravamento contínuo para os próximos anos.

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 SC 405, única via de acesso ao sul da ilha de Florianópolis, completamente embaixo da água.

De norte ao sul da costa de Santa Catarina, Paraná e estado de São Paulo voltaram a sofrer com outra elevação brusca do nível do mar em cerca de 30 dias após uma série de alagamentos que assustaram cidades litorâneas.

As consequências geradas pelos alagamentos são graves. Em Florianópolis, não foram só o comércio, o município e moradores que sofreram com a invasão da água, mas os alagamentos transformaram a cidade na última sexta-feira em um verdadeiro caos. Se as limitações geográficas da ilha de Santa Catarina e a mobilidade urbana mais precária do país não fossem motivos de sobra para atrapalhar, a elevação do nível do mar em patamar recorde bagunçou o cotidiano local. Várias estradas e ruas fundamentais para o fluxo automotivo e comércio pareciam realocadas “dentro do mar”, deixando os motoristas parados por horas até que as águas voltassem a abaixar.

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 Florianópolis viveu um verdadeiro caos urbano na última sexta-feira.

Em Balneário Camboriú, moradores compartilharam vídeos e fotos mostrando a “invasão” do mar e ondas na Avenida Beira Mar, complicando a locomoção e preocupando moradores e comerciantes do local.

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 Balneário Camboriú foi outro dos muito lugares que viu o mar invadindo áreas urbanizadas.

São José, Paranaguá, Santos e várias outras cidades, também sofreram com a elevação do nível do mar deixando áreas completamente submersas em águas salgadas.

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Em Santos, ruas também foram alagadas. Fonte: Alex Ferraz para A Tribuna.

Os alagamentos foram resultados do alto nível astronômico maregráfico, maré de sizígia caracterizada pela lua cheia, combinado com um evento meteorológico de uma tempestade ciclônica próxima à costa brasileira.

ciclone-empilhaEvento ciclônico que ajudou na superelevação do nível do mar na última sexta-feira.

O que mais chama a atenção nesse caso, é que em muitos desses lugares não tivemos um só pingo de chuva. Graças a Deus, pois a combinação de eventos desse tipo com chuvas fortes (condição normal nesses casos) teria causado consequências muito piores. Os alagamentos seriam ainda mais desastrosos devido à impossibilidade que águas pluviais teriam para escoar para o mar, já que seriam impedidas fruto do empilhamento das águas marítimas na zona costeira. A sorte, desta vez, foi que as grandes nuvens carregadas de chuva se deslocaram para o oceano e afastaram-se da área continental.

Além do exposto acima, ressalta-se também que os ventos do quadrante sul responsáveis por empilhar águas marítimas nas costas brasileiras também não foram tão severos, com exceção do litoral gaúcho. A verdade é que o ocorrido tinha características para causar estragos de proporções ainda maiores.

O que fica claro nesses dois eventos “seguidos” de alagamentos ocasionados pela alta do nível do mar é que existe a necessidade de se planejar e investir com cuidado. Todas as projeções científicas convergem para uma elevação contínua e acentuada das águas do mar para os próximos anos acompanhadas de eventos meteorológicos mais intensos, frequentes e perigosos.

Os investimentos na área costeira, seja por pessoa física, entidades privadas ou poder público, devem ser feitos de forma cautelosa e com ajuda de ferramentas e profissionais competentes e capazes para avaliar grau e risco.

Por Felipe Odreski
Diretor na Acqualis Engenharia Hídrica

Para

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Representante oficial no Brasil da

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Tags: Modelo de Previsão, Alagamentos, Zona Costeira, Planejamento, Elevação do Nível do Mar, Mudanças Climáticas, Água, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Modelagem Ambiental, Modelagem Oceânica, Hidrologia, Recursos Hídricos.

Mais da metade das águas subterrâneas do sul da Ásia estão muito contaminadas.

Por The Guardiann 
Publicado em 30 de agosto de 2016

Salinidade e arsênio afetam 60% do suprimento subterrâneo dentro da vasta Bacia Indo-Ganges, de acordo com pesquisa publicada na Nature Geoscience.

agua contaminada

 Quinze a vinte milhões poços extraem água da bacia do Indo-Ganges a cada ano. Fotografia: Rajesh Kumar Singh / AP

Sessenta por cento das águas subterrâneas em uma bacia hidrográfica que suporta mais de 750 milhões de pessoas no Paquistão, Índia, Nepal e Bangladesh não é potável ou utilizável para a irrigação, dizem os pesquisadores.

Eles relatam que a maior ameaça para as águas subterrâneas na bacia do Indo-Ganges, nomeado pelos rios Indo e Ganges, não é o esgotamento, mas a contaminação, descrito na revista Nature Geoscience.

escassez de água globais para entregar ‘hit severo “para as economias, Banco Mundial adverte

“As duas preocupações principais são a salinidade e arsênico,” escreveram os autores do estudo.

Até mesmo a mais de 200 metros (650 pés), cerca de 23% da água subterrânea armazenada na bacia é muito salgado e cerca de 37% “é afetada por arsênio em concentrações tóxicas”, disseram.

A bacia do Indo-Ganges representa cerca de um quarto da extração mundial de água subterrânea – água doce que é armazenado no subsolo em fendas e espaços no solo ou rocha, alimentados por rios e chuvas.

Quinze a vinte milhões de poços extraem água da bacia todos os anos em meio a preocupações crescentes sobre o esgotamento.

O novo estudo – baseado em registros locais de níveis de águas subterrâneas e qualidade a partir de 2000 a 2012 – descobriu que o lençol freático foi estável ou crescente em cerca de 70% do aquífero.

Verificou-se estar caindo também nos outros 30%, principalmente perto de áreas altamente povoadas.

Águas subterrâneas pode se tornar salgadas através de causas naturais e artificiais, incluindo a irrigação da terra ineficiente e má drenagem.

O Arsênio também está naturalmente presente, mas os níveis são exacerbados pelo uso de fertilizantes e mineração.

O envenenamento por arsênico da água potável é um problema grave na região.

Para maiores informações, acesse:

https://www.theguardian.com/world/2016/aug/30/more-than-half-of-south-asias-groundwater-too-contaminated-to-use-study
Tags: Modelo de Previsão, Rios, Seca, Águas Subterrâneas, Água, Abastecimento de Água, Tecnologias de Águas, Modelagem Numérica, Qualidade da Água, Hidrologia, Mudanças Climáticas, Recursos Hídricos.

Influência do projeto da nova Ponte nas características naturais da Lagoa da Conceição

Por Acqualis Engenharia Hídrica
Publicado em 28 de maio de 2015

A Lagoa da Conceição, localizada em Florianópolis, SC, cidade sede da Acqualis Engenharia Hídrica, é caracterizada pela presença de uma importante laguna costeira conhecida como Lagoa da Conceição. Esse recurso hídrico oferta usos múltiplos, como pesca, turismo, navegação e atividades esportivas, conferindo grande importância econômica e ambiental à região. A ligação com o mar é permanente e assegurada através do Canal da Barra da Lagoa, tornando o sistema complexo como um local de encontro de águas continentais e marítimas, doces e salgadas. A bacia hidrográfica compreende 77,2 km², sendo que 20,7 km² é ocupado pelo corpo d’água (Silva, 2013). A figura abaixo apresenta a localização da Lagoa da Conceição.

Localização LagoaFigura 1: Localização da área de estudo.
Fonte: Silva, 2010.

Rodeado por desenvolvimento humano desordenado, a laguna é também um corpo receptor de carga poluidora incidente de sua bacia. A ocupação urbana na bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição e a falta de um sistema de esgotamento sanitário universal e eficiente na região vêm causando a degradação da qualidade de suas águas e impactando a fauna aquática. A balneabilidade e a pesca estão comprometidas em algumas regiões. Este belo e importante recurso hídrico está ameaçado pelos aportes de efluentes domésticos que são lançados diretamente e indiretamente na Lagoa, elevando seus índices de matéria orgânica, nutrientes e coliformes fecais.

O equilíbrio hidrodinâmico e a qualidade da água estão diretamente ligados à capacidade de renovação das águas e ao aporte de poluentes no corpo de água. O padrão de qualidade de água depende da relação entre a carga incidente e a capacidade suporte do sistema hídrico, resumidamente, capacidade do corpo receptor em degradar os seus poluentes. Um dos aspectos que determinam essa capacidade é o tempo de residência da água na laguna e o volume de troca de massa líquida com o oceano. Quanto menor for o tempo de residência e maior o volume de troca das águas, maior será sua capacidade suporte.

A Lagoa da Conceição já foi objeto de alguns estudos por parte da equipe técnica da Acqualis Engenharia Hídrica e do Laboratório de Hidráulica Marítima – LaHiMar, da Universidade Federal de Santa Catarina. Os engenheiros sanitaristas e ambientais da Acqualis Engenharia Hídrica, Felipe Odreski e Júlia Costa Silva, desenvolveram seus estudos de mestrado no LaHiMar com o objetivo de avaliar o comportamento hidrodinâmico e qualidade da água da Lagoa da Conceição. Dando continuidade aos estudos já desenvolvidos, os representantes da Acqualis Engenharia Hídrica vêm estudando algumas possibilidades de melhoria do padrão de qualidade da água da laguna.

A melhoria da qualidade de água da Lagoa da Conceição pode advir de duas ações. A primeira e principal delas é a redução da carga poluidora incidente neste recurso hídrico. A ampliação do sistema de esgotamento sanitário da bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição, do qual inclui o bom tratamento dos efluentes, é imprescindível para melhorar a qualidade das águas da laguna e manter o equilíbrio desse frágil e complexo ecossistema. À essas providências devem-se somar outras medidas como uma atuação forte e contínua do governo através de uma fiscalização ostensiva e da adoção de ações punitivas severas.

A segunda ação a ser tomada trata-se de uma medida paliativa que visa à redução do impacto já causado pelos agentes poluidores através do aumento da capacidade suporte desta laguna e/ou tratamento das águas. Atualmente há alguns projetos em estudos que visam aumentar as taxas de renovação e aeração e a dispersão dos poluentes. Diante disso, os engenheiros da Acqualis estudam possíveis impactos positivos e negativos de alguns desses projetos já existentes.

Um dos projetos existentes é a ampliação da ponte da Lagoa da Conceição localizada na Avenida das Rendeiras. Este projeto tem por objetivo melhorar a mobilidade na região e também contribuir para a oxigenação da Lagoa de Baixo, assim chamada a porção sul da laguna, ou ainda, Lagoa Sul. A ponte existente atualmente possui um vão livre de apenas 10m que funciona como um canal “extrangulado”, isolando parcialmente a Lagoa de Baixo e restringindo sua taxa de renovação com o corpo central da laguna. A nova ponte projetada aumentaria o canal de passagem para 100 metros, ampliando o tamanho do canal atual em dez vezes (Diário Catarinense, 2012). As Figuras 2 e 3 demonstram a situação atual e o projeto dea nova ponte.

Ponte na atualidade

Figura 2: Atual ponte das Rendeiras – vão de 10m entre o corpo principal e a Lagoa de Baixo.
Fonte: Panoramio.
Projeto da futura ponte

Figura 3: Projeto da futura ponte – vão com 100m de ligação entre a Lagoa de Baixo e o corpo principal.
Fonte Diário Catarinense, 2012.

A emissora de televisão Band Santa Catarina realizou uma matéria sobre a nova ponte no dia 27 de fevereiro de 2012. No link abaixo é possível assistir a reportagem com detalhes do projeto.

Fonte: BAND Santa Catarina, 2012.

Os engenheiros Felipe Odreski e Júlia Costa Silva avaliaram em estudos preliminares os impactos positivos e negativos desta obra quanto à hidrodinâmica e a qualidade da água da Lagoa da Conceição. Para isso, foram utilizadas ferramentas de modelagem numérica que permitiram representar o diagnóstico atual e simular prognósticos de qualidade de água considerando a implantação da nova ponte. Os resultados foram confrontados entre si.

O modelo utilizado para realizar o trabalho foi o sistema de modelagem numérica de água Mohid Water e os engenheiros utilizaram no estudo a base de dados do estudo desenvolvido por Silva (2013), que consolida informações de mais de 10 anos de levantamento de dados batimétricos, além de parâmetros biológicos de qualidade de água.

Para alimentar o modelo numérico, foram levantados em campo dados do nível maregráfico na região, de vazão do principal afluente de água doce da laguna e do nível interno da Lagoa da Conceição. As campanhas de instalação, monitoramento e análise dos dados foram executados em atividades de pesquisa do Lahimar com apoio da Acqualis Engenharia Hídrica. Todas as séries históricas obtidas foram consistidas e serviram como parâmetros de entrada das simulações numéricas. A Figura 4 ilustra o sistema de monitoramento fluvial do rio João Gualberto, norte da laguna, e a Figura 5 apresenta o marégrafo Digilevel, construído pela COPPE-UFRJ, instalado no corpo principal da Lagoa da Conceição próximo ao canal da Barra da Lagoa.

Fluvial

Figura 4: Sistema de monitoramento fluvial em operação.
Digilevel

Figura 5: Marégrafo Digilevel instalado no corpo principal da laguna.

Como indicador do aporte de poluentes, Silva (2013) utilizou a concentração de Escherichia coli por ser a única bactéria que dá garantia de contaminação exclusivamente fecal e seus dados foram obtidos do programa de balneabilidade de FATMA – Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina.

Os cenários atual e futuro foram representados a partir dos mesmos dados levantados, onde a única modificação entre eles ocorre na geometria do canal de ligação entre a Lagoa de Baixo e o compartimento principal. No cenário atual, o vão de ligação apresenta 10 metros de extensão, passando para 100 metros no cenário futuro, conforme prevê o projeto. O período de análise das simulações corresponde ao período de dados levantados entre 22/12/2012 até 25/02/2013, totalizando 63 dias de análise. Dados coletados em períodos anteriores serviram para aquecimento e calibração do modelo.

Assim como outros estudos, os resultados obtidos por Odreski (2012) e Silva (2013) apontam que a atual ponte funciona como um filtro de maré, minimizando a energia maregráfica que alcança o corpo principal da laguna. Os resultados indicam que a ampliação da ponte faz com que o nível de água fique mais susceptível à variação do nível maregráfico. A Figura 6 e a Figura 7 apresentam a variação do nível no cenário atual e no cenário futuro ao centro da Lagoa de Baixo e Lagoa Central, respectivamente.

Observa-se na Figura 6 que a ampliação da ponte faz com que os níveis de água na Lagoa Sul atinjam valores mínimos inferiores aos do cenário atual. Além disso, fica evidente na Figura 6 que a Lagoa Sul apresenta maior sensibilidade às componentes de baixa frequência de maré no cenário futuro. As oscilações de curto período ficam representadas ao longo de toda série devido aos efeitos das componentes de maré astronômica que passam a ser sentidas na Lagoa de Baixo no Cenário Futuro.

serie nivel lagoa baixo

Figura 6: Nível d´água na Lagoa Sul – Cenário Atual e Futuro.

Analisando as séries de nível das Figuras 6 e 7, verifica-se uma grande diferença dos níveis mínimos entre os dois cenários e em ambas as localizações da Lagoa da Conceição. A maior diferença foi verificada no quinto dia de simulação, dia 26/12/2012. As séries temporais de vazão fluvial da bacia hidrográfica e do nível externo do mar indicam que nesse período as descargas de água doce na laguna estavam elevadas e o nível maregráfico baixo. Nessa condição descrita acima, observa-se na Figura 6 que a ampliação da ponte faz com que os níveis de água na Lagoa Sul atinjam valores mínimos bem inferiores aos do cenário atual. Isto é reflexo do gradiente hidráulico que se forma entre o nível externo e interno da laguna, o qual “empurra” a água da Lagoa de Baixo para o corpo principal. Em contrapartida, os níveis mínimos de água da Lagoa Central crescem nessas condições, uma vez que a massa de água que sai da Lagoa Sul atinge o corpo principal da laguna mais rapidamente e em maior volume, como pode ser visto na Figura 7 abaixo.

serie nivel lagoa do meio

Figura 7: Nível d´água no corpo central da laguna – Cenário Atual e Futuro.

As Figuras 8 e 9 abaixo apresentam o campo residual de nível para os dois cenários simulados, representando o nível médio ao longo de todo período simulado. Observa-se que a abertura da ponte fez o nível de água médio na Lagoa Sul reduzir. Seguindo na análise dos níveis, as Figuras 10 e 11 ilustram o campo de nível na Lagoa da Conceição para os cenários Atual e Futuro no instante do menor nível maregráfico observado durante as medições, próximo ao quinto dia de simulação, dia 26/12/2012. Observa-se que neste instante, o aumento do vão da ponte fez diminuir o nível na Lagoa de Baixo em até 20 cm.

Nivel residual atual

Figura 8: Nível residual – Cenário Atual.
nivel residual futuro

Figura 9: Nível residual – Cenário Futuro.
 nivel 5 dia atual

Figura 10: Nível no quinto dia de simulação – Cenário Atual.
 nivel 5 dia futuro

Figura 11: Nível no quinto dia de simulação – Cenário Futuro.

A Figura 12 ilustra os resultados dos campos de velocidade nos dois cenários para o quinto dia de simulação. Verifica-se no cenário futuro um aumento nas velocidades representadas pelas manchas claras que partem da Lagoa de Baixo rumo ao canal da Barra da Lagoa, evidenciando maior transporte de massa líquida.

Os quadrados representados na parte inferior da Figura 12 procuram detalhar os campos de velocidade no mesmo instante de simulação no canal de ligação entre o corpo lagunar principal e a Lagoa de Baixo. O aumento do vão de comunicação no cenário futuro modifica fortemente as velocidades em toda região próxima.

Velocidades

Figura 12: Campos de Velocidade no Cenário Atual e Futuro.

O campo de salinidade residual do período simulado de ambos os cenários estão exibidos nas Figuras 13 e 14. Conforme esperado, o aumento do canal de comunicação eleva a troca de massa líquida entre o corpo principal e a Lagoa Sul. Dessa forma, as águas do corpo principal da laguna ganham mais acessibilidade até a Lagoa de Baixo, elevando sua salinidade média em 0,65 PSU.

Salinidade Atual

Figura 13: Salinidade residual – Cenário Atual.
Salinidade Futuro

Figura 14: Salinidae residual – Cenário Futuro.

As análises de coliformes fecais realizadas revelam o impacto da ocupação humana sobre a qualidade de água. As maiores concentrações são observadas nas regiões de maior ocupação populacional. As Figuras 15 e 16 apontam os campos residuais das concentrações de E. coli na Lagoa da Conceição nos cenários Atual e Futuro, respectivamente. Não se observam variações significativas entre os dois cenários, revelando que o aumento do vão da ponte não traria melhorias referentes às concentrações de Coliforme Fecal e balneabilidade no local.

Coliformes Atual

Figura 15: Concentração de E. Coli residual – Cenário Atual.
Coliformes Futuro

Figura 16: Concentração de E. Coli residual – Cenário Futuro

As Figuras 17 e 18 ilustram a concentração de E. coli no momento de menor nível maregráfico observado no período, referente ao quinto dia de simulação. Este instante foi responsável pela maior variação dos níveis, velocidades e coliformes fecais entre os dois cenários. Faz-se possível observar que as proximidades norte e sul da ponte apresentam manchas mais intensas no cenário futuro, representando incremento na contaminação fecal nessa região. Isto acontece devido a amplificação do poder de dispersão do poluente no local. O maior aumento foi verificado nas proximidades do lado norte da ponte, com crescimento de até 4.000 NMP/100mL. A abertura da ponte do cenário futuro e as condições meteo-oceanográficas deste dia de simulação intensificaram o escoamento da Lagoa Sul para a Lagoa Central, carreando a contaminação presente da Lagoa de Baixo para o corpo principal.

Coliformes 5 dia Atual

Figura 17: Concentração de E. Coli no quinto dia simulado – Cenário Atual.
Coliformes 5 dia Futuro

Figura 18: Concentração de E. Coli no quinto dia simulado – Cenário Futuro.

Considerações Finais

O estudo apontou que a ampliação do vão da ponte para 100m altera os padrões hidrodinâmicos nas proximidades do canal. Além disso, a Lagoa de Baixa passa a sentir componentes de maré astronômica, visualizado nas oscilações de baixa frequência ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, os campos de velocidade próximos ao canal sofrem aumento que permitem ampliar a transferência de massas d’água entre os dois compartimentos da laguna.

A ampliação do vão da ponte aumentou a salinidade na Lagoa da Baixo devido a maior sensibilidade às variações maregráficas nessa região da laguna e ao aumento do volume de troca de água com o corpo principal.

Apesar de se observar uma elevação na taxa de transferência de água do corpo principal com a Lagoa Sul, o novo cenário não traz benefícios para concentração residual de coliformes fecais, sendo incapaz de modificar com consistência as características de balneabilidade da Lagoa da Conceição. Observa-se apenas uma amplificação no poder de dispersão dos coliformes que transfere um incremento das concentrações do mesmo em alguns pontos entre o vão da nova ponte e a entrada do canal da Barra da Lagoa.

Faz-se importante ressaltar que esta é uma análise preliminar e de apenas um dos parâmetros de qualidade de água. A indisponibilidade atual de outros parâmetros coletados em campo impossibilita outras análises, como oxigênio, DBO e nutrientes. É imprescindível avaliar outros parâmetros de qualidade de água e condições meteo-oceanográficas no intuito de verificar a interferência desse projeto de uma maneira mais ampla e sobre outros aspectos.

Destaca-se ainda que este é um estudo de investigação científica por parte dos engenheiros da Acqualis Engenharia Hídrica e que não teve nenhum propósito comercial ou valor financeiro agregado. O uso das informações contidas neste documento não pode ser feito como embasamento em projetos e consultorias comerciais, necessitando de informações e investigações extras.

Para maiores informações sobre a Acqualis Engenharia Hídrica, acesse:

www.acqualisengenharia.com.br

 

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Referências Bibliográficas

BAND SANTA CATARINA. 2012. Disponível em http://www.bandsc.com.br/canais/noticias/prefeitura_de_florianopolis_apresenta_projeto_de_construcao_de_uma_ponte_na_lagoa_da_conceicao.html.

DIÁRIO CATARINENSE. 2012. Disponível em http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2012/12/projeto-da-prefeitura-para-a-lagoa-da-conceicao-em-florianopolis-preve-nova-ponte-no-local-3993097.html.

ODRESKI, L. F. R. Influência Hidrológica nos processos hidrodinâmicos da Lagoa da Conceição – Florianópolis – SC. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental), UFSC, Florianópolis, Santa Catarina. 2012.

PANORAMIO. 2015. Disponível em http://www.panoramio.com/photo/80609242?source=wapi&referrer=kh.google.com.

SILVA, J. C. Análise numérica da influência dos aportes fluviais e antrópicos sobre a hidrodinâmica residual e a qualidade da água da Lagoa da Conceição – Florianópolis – SC. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental), UFSC, Florianópolis, Santa Catarina. 2013.