A contradição da bacia do Nilo: mais chuvas, mas menos água para milhões de pessoas

Por iAgua

Publicado em 06 de Novembro de 2019

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Os principais afluentes do Nilo, o Nilo Branco e o Nilo Azul, convergem em Cartum, no Sudão, cidade com escassez de chuvas de quase 2 milhões de habitantes e que depende do Nilo para irrigação.

Nas próximas décadas, altas temperaturas e secura, juntamente com o aumento da população ao longo do rio Nilo, levarão a uma menor disponibilidade de água para usos residenciais, agrícolas e ecológicos, conclui um novo estudo liderado por Ethan Coffel, pesquisador da Universidade de Dartmouth.

Coffel ressalta que seu estudo não apenas analisa mudanças de temperatura ou precipitação, mas explica como a vida das pessoas mudará. E essas mudanças podem alterar o curso da história do Nilo em um futuro não muito distante, segundo os autores.

O estudo se concentrou na bacia do alto Nilo, uma região com grande estresse hídrico que inclui parte da Etiópia, Sudão do Sul e Uganda. Nesta área, há quase toda a precipitação que se traduz em contribuições para o fluxo do Nilo que flui para o Egito e o Mar Mediterrâneo.

A bacia do alto Nilo sofre dois efeitos aparentemente contraditórios das mudanças climáticas. Por um lado, o estudo prevê um aumento na precipitação durante o restante do século atual, como resultado da maior umidade atmosférica associada ao aquecimento. Por outro lado, o estudo indica que a tendência observada nas últimas quatro décadas continuará, com maior frequência de anos secos e com altas temperaturas, podendo até triplicar.

Por outro lado, é esperado um aumento populacional na região, que quase dobrará em 2080, o que aumentaria a demanda por recursos hídricos. Consequentemente, a maior evaporação devido às altas temperaturas, juntamente com o aumento da demanda, compensaria o incremento esperado na precipitação

De acordo com o estudo, a demanda anual de água do Nilo excederá os recursos disponíveis em 2030, aumentando assim a porcentagem da população na bacia do rio que sofre com a escassez de água. Em 2080, estima-se que até 65% da população da região, cerca de 250 milhões, sofrerão com a escassez crônica de água em anos secos e com altas temperaturas. Coffel alerta que a Bacia do Nilo é uma das várias regiões agrícolas que está prestes a sofrer escassez severa de água, o que poderia levar a migração e até conflitos

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Tags: Recursos Hídricos, Precipitação, Seca, Gestão da Água, Água de Abastecimento, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Rio Nilo.