Água & Energia : A falta de planejamento escancara a situação atual.

Por Felipe Odreski
M. Sc. e Eng. Sanitarista e Ambiental
Especialista em Hidráulica e Hidrologia Aplicada

Não bastando vivenciar um conturbado momento político que segue uma série de escândalos de corrupção dentro do atual governo e na principal estatal petrolífera brasileira, a Petrobras, e que leva a população às ruas devido ao descrédito com suas figuras políticas, o Brasil vive um momento histórico de seca em alguns Estados. Com forte atuação na região sudeste do país, a baixa disponibilidade hídrica vem levando racionamento e espalhando consequências para várias cidades, incluindo a maior metrópole do continente sul americano: São Paulo.

Em meio a período eleitoreiro, a crise hídrica imposta ao país foi mascarada por meses pelo governo visando não acarretar em perda de votos nas últimas eleições. Dessa forma, juntamente com a falta de planejamento e investimentos em infraestrutura hídrica, somaram-se as ações tardias de remediação da gravíssima situação dos reservatórios. Mesmo alcançando níveis inferiores a 10% de sua capacidade em alguns reservatórios, o Governo de São Paulo agiu instalando novos sistemas de bombeamento para ofertar a sua população água das camadas mais inferiores do chamado Sistema Cantareira. Ainda sem saber as consequências que a retirada do nomeado “volume morto” do Cantareira pode acarretar para o meio ambiente, a conclusão de um novo projeto visando ampliar o atual sistema de armazenamento, coleta, transporte, tratamento e oferta de água só se faz possível em anos, não atendendo a atual demanda econômica e social.

Falando sobre um período de seca extremo e muito preocupante dentro do país, coloca-se também em cheque a capacidade do Brasil em ofertar energia necessária para sua população. A fonte de geração de energia brasileira é baseada em seus recursos hídricos, onde cerca de 75% do total da energia produzida acontece por meio de hidrelétricas. O resultado de tudo isso é conhecido como o efeito cascata.

Vivendo a eminência de uma outra crise energética, o governo brasileiro imprimiu novas tarifas de energia que exprimem um aumento em torno de 30% na conta de cada residência brasileira. Ainda assim, o governo lançou na segunda dezena de março de 2015 um programa educativo em rádio, televisão e internet que objetiva incentivar a consciência ecológica e o uso racional de energia.

A verdade é que a situação mostra a fragilidade atual do país frente a períodos de estiagem e a necessidade de um planejamento sólido na gestão de seus recursos hídricos e na matriz energética brasileira que deve se diversificar procurando novas fontes para geração de energia.

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Fonte da imagem: ultimosegundo.ig.com.br